Andei que tempos a tentar comprar um carro e finalmente decidi-me.
Procurei em sites da especialidade como o Autotrader, mas a coisa não se revelou tarefa fácil. Nenhum cumpria todos os requisitos e, se cumpria, o vendedor estava a uma distância enorme ou tinha acabado de vender o carro no próprio dia. Para além disso, há dois motivos que tornaram isto um processo tão lento: 1) Estou longe de ser uma especialista em carros; 2) A descrição do carro é feita em milhas, o que, para uma análise detalhada, obriga a um exercício constante de conversão. Por exemplo, um carro que faz consumos de 71 mpg, que em bom português significa 71 milhas por galão (Imperial Gallon, diga-se), tem, na verdade, uma média de 4l/100kms - e é assim que eu me entendo. Da mesma forma, se um carro já andou 60 000 milhas, interessa-me é saber que isso é o mesmo que 96 mil quilómetros e qualquer coisa. Não é que isto não seja um exercício interessante, que é, mas atrasou um bocado o processo.
Entretanto vou pensando que o consumo do carro não é a única coisa que está ao contrário: o volante e o sentido do trânsito também. Nos primeiros meses após a nossa chegada não me atrevi a pegar em nenhum carro que fosse. Sentia que a minha vida estava em risco de cada vez que atravessava uma passadeira porque olhava sempre para o lado errado, o que me fazia crer que pegar num carro resultaria em algo desastroso. Depois, por insistência do A., lá me comecei a aventurar aos poucos nas idas ao supermercado ou a conduzir até à cidade vizinha e percebi que a minha dificuldade não era bem em controlar um carro construído ao contrário, mas antes em acertar com o sentido do trânsito, com a faixa de rodagem certa. Sei que isto soa terrivelmente dramático, mas era mesmo assim. Lembro-me de perguntar, parada nos semáforos, "E agora? Entro onde?", com os carros que se multiplicavam à minha frente, vindos de todas as direções e a seguir em todas as direções. Não menos complicado era quando saía de um estacionamento para encontrar uma estrada deserta, sem nenhum carro a circular que servisse de indicador sobre o sentido a tomar. Até agora, estas experiências foram acompanhadas pelo A. no lugar de co-piloto, para me acudir nos momentos de maior aflição ou avisar-me que não estava no centro da faixa cada vez que eu rasava uma fila inteirinha de retrovisores.
Pois bem, se fechar o negócio do meu novo carro, serei eu, apenas eu, a trazê-lo até casa. Isto seria muito menos complicado se o stand não ficasse numa zona de Birmingham com uma afluência de trânsito particularmente intensa. Logo à saída, encontrarei uma rotunda enorme e até entrar em velocidade de cruzeiro ainda terei que passar por alguns cruzamentos e muito pára-arranca. Mesmo assim, acho que com alguma concentração, a coisa vai lá. Fingers crossed e bifes, preparem-se, aqui vou eu!
O problema dos carros em inglaterra não é o preço, mas sim tudo o que vem atrás...
ResponderEliminarMOT
TAX
SEGURO ( a sério, 600£ de seguro / ano contra terceiros? )
Eu também estou a ponderar comprar um carro pois o acesso ao meu emprego é muito limitado, com apenas um autocarro daqueles que passa de hora a hora ( o autocarro que apanho chega ao emprego ás 8.30. Se apanhar o seguinte chego meia hora atrasado. )
Mas as consequências de ter carro são piores que os beneficios, na minha opinião.
a pensar...
Os preços dos seguros são uma loucura, mas não fiquei espantada com o road tax... é um mal necessário. É uma questão a ponderar muito bem, mas não acho que traga mais desvantagens do que benefícios...
EliminarTambém há que analisar as alternativas. Da minha experiência, os comboios, por exemplo, não são de fiar - constantemente atrasados, cancelados, etc. - e isso, a meu ver, acaba por não compensar (até porque não são particularmente baratos). Cada caso é um caso. Acho que em algumas situações o carro pode ser uma boa aquisição.