segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

A minha primeira meia-maratona - Parte I

Numa manhã fresca de sábado lá nos arrastámos da cama, para honrar a decisão tomada em cima do joelho: íamos correr a meia-maratona cuja inscricão havia sido feita há meses e meses. Atrasados, rabugentos, esperámos impacientes na fila para entrar no recinto, havia pessoas a caminhar a passo apressado para as mesas de registo e nós sabíamos que tínhamos que o fazer rapidamente ou havia a possibilidade de não conseguirmos correr. Toda eu estranhava aquilo, porque tudo estava a falhar no meu sempre mais do que detalhado planeamento de todos os acontecimentos da minha vida. Decidir assim à ultima da hora, sair atrasada de casa, não saber bem o que comer, que roupa vestir. Tudo aquilo eu estranhava. Lá conseguimos estacionar o carro, eu não sabia se devia beber mais água, comer mais nozes, estar quieta em vez de tentar enfiar o máximo de mantimentos possível nos bolsos do casaco ou virar costas e vir embora. Lá chegámos ao sítio onde nos devíamos registar: era nada mais nada menos do que um pardieiro onde não cabia nem mais uma alma. Furámos a custo, conseguimos o dorsal: Good luck. Bem vamos precisar, pensei cá para mim, mesmo assim em português. As dúvidas persistiam, constantes, Será agora altura de comer mais alguma coisa? E ir à casa de banho? Sim, definitivamente ir à casa de banho parecia um bom plano. As conversas saíam animadas de todas as sanitas, histórias de antigas maratonas, lesões e desfalecimentos. Toda a gente se cumprimentava, lá voltei ao pardieiro para descobrir que o A. não tinha trazido a música dele. Solícita e boa samaritana, lá lhe ofereci a minha, sabendo que ali começava o meu fracasso.

domingo, 23 de abril de 2017

A Dona Alzira

Hoje foi um curioso acordar para um domingo de manhã igual a tantos outros. Finalmente descansada e com uma noite completa de sono, pois que não me sai do pensamento desde as primeiras horas do dia esta Dona Alzira, de quem já não me lembrava há uns tempos. A Dona Alzira era uma mulher lá da aldeia do meu pai, conhecia-o desde pequeno e a nós também, desde bebés. Ainda consigo ouvir a voz esganiçada e o riso matreiro, lá de baixo do portão, sempre alguma coisa para contar. Era presença de todas as férias, de todos os fins de semana na aldeia, de todas as Páscoas e dias de Verão. E nós gostávamos da Dona Alzira. Era aventura pela certa, ir a casa da Dona Alzira e estranhar as paredes pretas do fumo, o banquinho ao lume e o cheiro entranhado a fumeiro. Não falhava a sacada de bolos lá da terra que nos dava satisfeita a mim, aos meus irmãos, aos meus primos. E os nossos nomes passavam todos a diminutivos, na voz esganiçada da Dona Alzira. Não se arreliava com a algazarra, gostava muito, era como se não conhecesse problemas ou não sentisse tristezas. A Dona Alzira era assim, trazia com ela esta leveza.
Agora já não há Dona Alzira. Apenas a suave recordação daquela figura ao portão, na mistura do cheiro das lareiras, as vozes dos homens nos cafés, o som dos animais ao longe.

sábado, 12 de março de 2016

domingo, 6 de março de 2016

Corria o ano de 2016

Como está mais do que visto, não tenho tempo para nada, muito menos para escrever neste blog que, coitado, ainda hoje procura o sentido da sua existência. Até me atravessou várias vezes o pensamento a ideia de o apagar, de reconhecer que a coisa já tinha dado o que tinha a dar, mas não. É melhor não, porque apesar de o tempo ser escasso e de estar quase por completo em abandono, até nutro um certo carinho pelas palavras que aqui escrevi, todas tão verdadeiras, nem sempre espontâneas, mas tão verdadeiras.

Traz-me aqui hoje a memória de uma corrida recente, que nao me sai da cabeça, sobre a qual quero escrever para não esquecer. São sempre as minhas corridas favoritas, as de sexta-feira ao final do dia. Com uma semana às costas, algumas horas de sono a menos acumuladas, é o que tenho vontade de fazer, estacionar o carro e correr desalmadamente por essa cidade fora. Porque é sexta-feira e não há pressas para planear o dia seguinte, nem pressas para planear o jantar, nem pressas em geral. É como se viesse à tona da água, depois de uma semana inteira sem respirar por estar submersa numa espécie de vai-e-vem sem fim, um corrupio de auto estradas, computadores, demasiada gente em todo o lado. É ali que páro, mesmo enquanto o meu corpo corre.
Desta vez, bati a porta da rua atrás de mim e entrei num pisa papéis daqueles com neve dentro, como aquele que trouxe de Colónia há uns bons anos atrás, o meu souvenir preferido. Ia jurar que não nevava naquela noite, mas ela lá estava, para grande espanto meu. A neve caía ainda em flocos pequenos, em câmara lenta, em silêncio. Ajeitei as luvas e lá fui eu, com o entusiasmo contido. Eu nem senti o cansaço, eu corri, mas não dei pelo chão debaixo de mim, nem pelo tempo a passar. Fui espreitar o castelo, com toda aquela neve, que agora caía com intensidade, em flocos grandes e me entrava pela boca, pelo nariz, que se acumulava nos vidros dos carros e nas minhas luvas. Eu nem senti o frio, continuei deslumbrada, os flocos cada vez maiores, nevava a sério, mais do que alguma vez tinha visto. Soube logo ali que por muitos anos que passem, estará gravado na minha memória, bem lá no fundo, este início de noite de Março, corria o ano de 2016.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Conduzir 200 kms por dia. Sem tempo para o blog, mas com tempo de sobra para redescobertas:



sexta-feira, 17 de julho de 2015

O cinema aqui da terra

Eu tanto queria ver o Amy e tenho que levar com semanas e semanas de Minions e Ted 2 e outras maravilhas.