No Natal costumo entrar numa espiral de obsessão com a prenda mesmo, mesmo perfeita e isso torna-se contra-produtivo. Vejo uma prenda que até podia ser uma hipótese, hesito, não compro (a minha regra número 1: Nunca comprar a primeira coisa que se encontra). Vejo outra, mas que mesmo assim não era bem, bem aquilo... adio (a minha regra número 2: Acreditar que há sempre algo melhor - e perfeito - ao virar da esquina). Vejo outra e decido que é aquela, mas pelo sim pelo não, vou dar uns dias e mais umas voltas a ver se aparece alguma coisa mais gira (a minha regra número 3: Manter a calma e ponderar muito bem antes de mergulhar à maluca numa coisa qualquer). Quando é demasiado óbvio que afinal era aquela que tinha visto há uns dias atrás, já esgotou.
Desde o ano passado que, a acrescentar a todo o mar de dúvidas que me inunda no momento de comprar prendas, veio a necessidade destas caberem na mala ou, pelo menos, não serem demasiado pesadas. Se for a prenda ideal, mas não der para levar na mala, nada a fazer. Claro que isto elimina logo umas tantas possibilidades.
Também me acontece, com algumas pessoas em particular, bloquear completamente e não ter ideia nenhuma do que oferecer, até ao pânico de última hora, que cria sempre um boost nos níveis de criatividade. Para piorar tudo, enquanto embrulho os presentes, tarefa que me entretem o espírito, penso que afinal devia era ter comprado a outra, que essa é que era, que esta aqui é demasiado óbvia, vai ser uma desilusão. Quando entro no território do "a intenção é que conta", a coisa está mesmo mal. Quero acreditar que a moral da história é que eu preocupo-me tanto, tanto, que a minha falta de jeito para escolher prendas, sai compensada pelo tempo infinito que passo a pensar em cada uma delas. Cada minuto, desesperado de indecisão, é talvez o resultado de uma vontade imensa de acertar mesmo, mesmo, no que aquela pessoa gosta e, assim, ter a certeza que a faço mesmo, mesmo um bocadinho feliz.
sexta-feira, 19 de dezembro de 2014
terça-feira, 16 de dezembro de 2014
As Lollipop Ladies estão em vias de extinção
Quando cheguei cá, foi uma surpresa cruzar-me com estas figuras que só conhecia dos filmes. Assentam arraiais em sítios estratégicos, nos horários de entrada e saída das escolas e o curioso é que a maior parte são homens e não mulheres [isto fez-me pensar que, numa perspetiva de inclusão de género, que agora está tão em voga, deveria dizer-se qualquer coisa como Lollipop Person e não Lollipop Lady...]. São sempre figuras sorridentes, que carregam o seu Lollipop do passeio para a estrada e da estrada para o passeio enquanto encaminham a criançada para porto seguro.
Um dia destes chegou-me pela rádio a notícia de que as Lollipop Ladies poderão desaparecer em vários municípios ingleses. Isto choca com certeza metade de Inglaterra, mas se pensarmos bem, a coisa não é assim tão descabida. Grande parte das Lollipop Ladies fazem o seu trabalho em semáforos. Isto quer dizer que, para além do semáforo ficar vermelho para dar passagem aos peões, ainda vem a Lollipop Lady de braço esticado assegurar que o sinal vermelho é mesmo levado a sério pelos condutores. Isto acontece em locais em que a velocidade máxima é 30 ou 40 mph, tudo controlado com câmaras de segurança. Quando não há semáforos, o Lollipop erguido terá outra importância, mas nada que não se resolvesse se as crianças atravesassem na passadeira mais próxima. Será que isto não é tudo excesso de zelo misturado com um carinho infindável por estas figuras cobertas de roupas de alta visibilidade?
sexta-feira, 28 de novembro de 2014
Canelas fracas
Vou cofirmando regularmente a máxima que por aí circula de que o google sabe tudo. Foi por isso ser verdade que descobri o que se passava com a minha perna direita nas minhas últimas corridas. Por 3 ou 4 vezes a mesma coisa: uma dor na canela durante a corrida que se mantinha durante o dia, em particular se me agachasse. A última vez fui a custo. Logo ao primeiro passo, a dor apareceu. Abrandei o ritmo, continuei por meia hora, mas mesmo depois de aquecer, a canela continuava a queixar-se. Quando googlei os sintomas, associando à corrida, a resposta apareceu logo. Dá pelo nome de shin splints e parece que afeta de vez em quando os corredores, mesmo os mais amadores. Parei duas semanas, como aconselhava um qualquer site especializado. Enchi-me de esperanças quando não senti dor ao voltar a correr, mas foi sol de pouca dura. Nas duas vezes seguintes, a dor reapareceu, tal e qual, sentia exatamente a mesma coisa, na parte interior da canela direita.
Isto de se ter canelas fracas é tramado. Abrandei a frequência e as distâncias, parei outra semana. Já não estou habituada a isto. O dia já não corre da mesma forma, para além de me sentir um pequeno leitão. Ainda por cima um leitão enferrujado. Voltei ontem à estrada, cortei caminho, corri com jeitinho, uma distancia curta. Regressei sem dores, só uma ligeira sensação.
Outro dia lia na Runner's World um testemunho de alguém que, depois de meses sem correr por causa de uma operação, voltou a "sentir-se humano" assim que calçou novamente as sapatilhas e recomeçou as corridas. Sem querer comparar as situações, parece-me que está na altura deste leitão que me habita há uns meses desaparecer.
Isto de se ter canelas fracas é tramado. Abrandei a frequência e as distâncias, parei outra semana. Já não estou habituada a isto. O dia já não corre da mesma forma, para além de me sentir um pequeno leitão. Ainda por cima um leitão enferrujado. Voltei ontem à estrada, cortei caminho, corri com jeitinho, uma distancia curta. Regressei sem dores, só uma ligeira sensação.
Outro dia lia na Runner's World um testemunho de alguém que, depois de meses sem correr por causa de uma operação, voltou a "sentir-se humano" assim que calçou novamente as sapatilhas e recomeçou as corridas. Sem querer comparar as situações, parece-me que está na altura deste leitão que me habita há uns meses desaparecer.
sexta-feira, 31 de outubro de 2014
Cenas do quotidiano
Por muitos anos que viva em Inglaterra, vou continuar a dar um salto na cadeira de cada vez que o carteiro coloca as cartas diretamente dentro de casa, através da ranhura da porta. Qual terá sido o inglês que, um dia, achou que isto era boa ideia?
quinta-feira, 16 de outubro de 2014
Cenas do quotidiano
Numa escola primária em Coventry, o menino mais intrigado que já vi observa-me enquanto falo português. Dirige-se a mim, decidido a esclarecer a sua curiosidade:
"- Are you from Portuguese?"
"- Are you from Portuguese?"
segunda-feira, 22 de setembro de 2014
The Riot Club
terça-feira, 9 de setembro de 2014
Vemo-nos lá para o Natal
Portugal continua no sítio, o cheiro a casa, a comida da minha mãe, Braga. Fui ao Pingo Doce e fiquei maravilhada. Insultei secretamente os ingleses, senti repulsa pelos supermercados de cá, pela fruta verde e cara, pelas peixarias com peixe escasso, desmaiado e de olhos baços. De um impulso, apeteceu-me trazer tudo o que havia na zona dos legumes, das frutas, do peixe. Encher-me de tudo o que eles nem sequer conhecem. Corri em Braga, na zona pedonal que acompanha o rio e que ainda não conhecia. De comboio, passámos depois por Lisboa para seguir para o Algarve. Fiquei contente por finalmente conhecer mais ou menos a fundo o que há para além de Oriente, passar dois dias a olhar para cima, ir ver a Amália, calcurriar Alfama, subir ao castelo de S.Jorge e beber no Bairro Alto. Andar de elétrico, ver carteiristas em ação e uma cena de pancadaria ao chegar a Belém. Agora posso morrer em paz.
Depois o Algarve e aquilo que já se sabe: água fria, ingleses e alemães por todo o lado e promessas falsas de ver golfinhos na costa. Pelo caminho, visitar Sagres e encontrar a fortaleza envolta em nuvens, num efeito verdadeiramente surreal. Ler à sombra, comer amêijoas, molhar os pés e o tempo voou.
Ligeiramente contrariada, estou de volta a Inglaterra, a Leamington. A viagem correu bem, apesar daquele senhor sentado na fila da frente do lado direito que parecia mesmo, mesmo um terrorista e de ter ficado convencida, a certa altura, que o avião estava às voltas em Londres antes de aterrar porque, obviamente, o trem de aterragem não tinha descido. O voo saiu de Faro atrasado por causa da greve dos controladores aéreos em Itália, e só às 5 da manhã pude deitar a cabeça na almofada e descansar destas andanças (e paranóias) aéreas. Até ao Natal, Portugal.
Depois o Algarve e aquilo que já se sabe: água fria, ingleses e alemães por todo o lado e promessas falsas de ver golfinhos na costa. Pelo caminho, visitar Sagres e encontrar a fortaleza envolta em nuvens, num efeito verdadeiramente surreal. Ler à sombra, comer amêijoas, molhar os pés e o tempo voou.
Ligeiramente contrariada, estou de volta a Inglaterra, a Leamington. A viagem correu bem, apesar daquele senhor sentado na fila da frente do lado direito que parecia mesmo, mesmo um terrorista e de ter ficado convencida, a certa altura, que o avião estava às voltas em Londres antes de aterrar porque, obviamente, o trem de aterragem não tinha descido. O voo saiu de Faro atrasado por causa da greve dos controladores aéreos em Itália, e só às 5 da manhã pude deitar a cabeça na almofada e descansar destas andanças (e paranóias) aéreas. Até ao Natal, Portugal.
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
Pensamentos pós-férias
Cá para mim, isto de pagar para ir ver golfinhos na costa deve ser o mesmo que sair para caçar gambozinos. Não os vi e não conhecço ninguém que tenha visto...
segunda-feira, 18 de agosto de 2014
Boris Johnson ou o tipo mais cool de Inglaterra
Se me perguntassem porque é que o Boris Johnson tem tanta pinta, não saberia muito bem explicar. Mas tem. (E, uma vez mais, politiquices à parte).
sexta-feira, 15 de agosto de 2014
Coisas inesperadas
Quem me conhece sabe da paixão que nutro por aviões. Sentar o rabo numa aeronave, é uma daquelas coisas que me deixa fora de mim... Aliás, a paixão é tanta que há cerca de um ano entrei num curso da TAP para pessoas aerofóbicas, que é como quem diz pessoas que têm um medo que se pelam de andar de avião. Eu era assim. Ainda sou um bocado, mas agora muito menos.
Não sei bem de onde é que a coisa vem. Será daquela vez, há anos, em que passei a noite no aeroporto do Funchal debaixo de uma tempestade à espera que o avião fosse capaz de descolar e mesmo quando descolou a coisa foi tão feia que havia homens feitos a chorar? Será da minha natureza ligeiramente controladora que não me permite viajar confortavelmente sem saber muito bem como é que a coisa está a ser conduzida lá à frente? Perdi a conta à quantidade de vezes que fiz esta pergunta a mim própria sem nunca descobrir com certeza o que estará na origem disto. Depois li algures que "há dois tipos de pessoas: as que têm medo de andar de avião e as mentirosas". Bem, a verdade é que olhando à volta num avião percebo que muitas pessoas não estão propriamente relaxadas, principalmente naquele momento maravilhoso, surreal, que é a descolagem. Mas há pessoas sem medo. Há. Eu vivo com uma. Na noite antes de viajar para a Austrália, por exemplo, o A. dormiu que nem um bebé e na manhã da partida estava tão relaxado como se fosse apanhar o comboio Braga-Porto. Eu, incrédula, perguntei-lhe vezes sem conta! "Mas não te sentes nervoso, nem um bocadinho?" - Não, ele de facto não estava. Nunca está. Até come autênticos banquetes nos almoços antes dos voos, quando eu não consigo engolir nada.
Depois de ter feito o programa da TAP e de ter aproveitado cada minuto para bombardear engenheiros, pilotos e hospedeiras com perguntas que tinha atravessadas há anos, a coisa está bem melhor. O voo terapêutico também ajudou: Lisboa-Madrid, e calhou-me o lugar ao lado do engenheiro aeronáutico, um dos formadores. Pobre homem, levou com as minhas perguntas o voo todo... Havia que aproveitar!
Apesar de tudo, houve uma pergunta que me escapou... nem sei como, de tão óbvia! Será que as próteses dos braços dos pilotos podem cair quando estão a aterrar o avião?
Para ser sincera, não percebi bem à primeira. "Será que chamam arm a uma parte qualquer do painel de controlo?...". Aos poucos lá fui encaixando a notícia. Mesmo assim, não conseguia muito bem acreditar. Como é possível o piloto perder o braço? Parece um sketch do Gato Fedorento!
A experiência mostrou-me que a imaginação de uma pessoa com medo pode ser de uma criatividade excecional. Não fica nada de parte, todos os cenários, todos os pormenores, as hipóteses mais estranhas e improváveis. Mas não me tinha preparado para isto! Agora, para além de todos os cenários catastróficos que me passam pela cabeça antes de um voo, vou ter de acrescentar um, que, sabe-se lá como, tinha-me escapado: "E se o braço do piloto cai enquanto estamos a aterrar?".
Não sei bem de onde é que a coisa vem. Será daquela vez, há anos, em que passei a noite no aeroporto do Funchal debaixo de uma tempestade à espera que o avião fosse capaz de descolar e mesmo quando descolou a coisa foi tão feia que havia homens feitos a chorar? Será da minha natureza ligeiramente controladora que não me permite viajar confortavelmente sem saber muito bem como é que a coisa está a ser conduzida lá à frente? Perdi a conta à quantidade de vezes que fiz esta pergunta a mim própria sem nunca descobrir com certeza o que estará na origem disto. Depois li algures que "há dois tipos de pessoas: as que têm medo de andar de avião e as mentirosas". Bem, a verdade é que olhando à volta num avião percebo que muitas pessoas não estão propriamente relaxadas, principalmente naquele momento maravilhoso, surreal, que é a descolagem. Mas há pessoas sem medo. Há. Eu vivo com uma. Na noite antes de viajar para a Austrália, por exemplo, o A. dormiu que nem um bebé e na manhã da partida estava tão relaxado como se fosse apanhar o comboio Braga-Porto. Eu, incrédula, perguntei-lhe vezes sem conta! "Mas não te sentes nervoso, nem um bocadinho?" - Não, ele de facto não estava. Nunca está. Até come autênticos banquetes nos almoços antes dos voos, quando eu não consigo engolir nada.
Depois de ter feito o programa da TAP e de ter aproveitado cada minuto para bombardear engenheiros, pilotos e hospedeiras com perguntas que tinha atravessadas há anos, a coisa está bem melhor. O voo terapêutico também ajudou: Lisboa-Madrid, e calhou-me o lugar ao lado do engenheiro aeronáutico, um dos formadores. Pobre homem, levou com as minhas perguntas o voo todo... Havia que aproveitar!
Apesar de tudo, houve uma pergunta que me escapou... nem sei como, de tão óbvia! Será que as próteses dos braços dos pilotos podem cair quando estão a aterrar o avião?
| BBC news |
Para ser sincera, não percebi bem à primeira. "Será que chamam arm a uma parte qualquer do painel de controlo?...". Aos poucos lá fui encaixando a notícia. Mesmo assim, não conseguia muito bem acreditar. Como é possível o piloto perder o braço? Parece um sketch do Gato Fedorento!
A experiência mostrou-me que a imaginação de uma pessoa com medo pode ser de uma criatividade excecional. Não fica nada de parte, todos os cenários, todos os pormenores, as hipóteses mais estranhas e improváveis. Mas não me tinha preparado para isto! Agora, para além de todos os cenários catastróficos que me passam pela cabeça antes de um voo, vou ter de acrescentar um, que, sabe-se lá como, tinha-me escapado: "E se o braço do piloto cai enquanto estamos a aterrar?".
quarta-feira, 13 de agosto de 2014
Jumanji
A par com o ET, o Jumanji é dos primeiros filmes de que tenho memória.
É incrível como, mesmo sem nos apercebermos, estas pessoas entram de fininho das nossas vidas e lá ficam, a acompanhar tantos momentos, desde a infância até agora.
Triste notícia, esta.
terça-feira, 5 de agosto de 2014
Gabarolice do dia
É mesmo isso, uma gabarolice pegada, mas às vezes também é preciso. Comecei o dia com o resumo do meu julho pelo Endomondo. Agora só me resta o dedo melhorar, conseguir calçar as sapatilhas e começar o meu agosto.
segunda-feira, 4 de agosto de 2014
Fim de semana no continente
Mais para lá do que para cá, mas com vontade de (qualquer dia) contar tudo em jeito review, que agora parece que me deu para isso. Fim de semana em Lille, com uma breve passagem pela Bélgica para, finalmente, conhecer Bruges. Em três dias, matar três vezes saudades de waffles a sério. Conduzir o carro inglês no continente, voltar a atravessar o Canal da Mancha de ferry e dizer adeus e olá aos penhascos brancos de Dover. Na volta, perceber que contornar Londres pelo Norte, faz o caminho muito mais rápido, mesmo pagando duas libras de portagem e passando por baixo do Tamisa. Chegar a casa já depois da hora de deitar, mas mesmo assim apanhar o take-away chinês aberto e acertar na escolha do arroz frito com camarão. Tudo isto e o dedo mindinho do pé a evoluir positivamente.
Não tendo estado muito virada para fotografias, aqui ficam algumas, por ordem cronológica.
Não tendo estado muito virada para fotografias, aqui ficam algumas, por ordem cronológica.
terça-feira, 29 de julho de 2014
Emigração sem dramas, por favor.
Já não consigo ler textos lamechas sobre emigração. Porque o emigrante é o herói, esse jovem sem emprego, coitadinho, é que foi o corajoso e não essa cambada de medricas que ficou em Portugal. O jovem licenciado, que abandona a pátria que há muito o havia abandonado. A pátria que o expulsou. E ele, pequenino mas valente, lá se lançou à conquista desse mundo e de uma vida melhor, sujeito a abusos, a dificuldades. Já se sabe que infelizmente isto não deixa muitas vezes de ser verdade, mas poupem-me. Poupem-me principalmente os emigrantes que, sem motivos para tal, vestem esta pele todos os dias e enchem o meu mural do facebook de queixumes e citações. Eles decidiram assim: os heróis são eles.
Por essas e por outras é que me soube tão bem ler este texto no P3, que, sem dizer nada de especial, descomplica a coisa e funciona como uma lufada de ar fresco. Esta coisa da emigração é, acima de tudo, um bocado chata.
Por essas e por outras é que me soube tão bem ler este texto no P3, que, sem dizer nada de especial, descomplica a coisa e funciona como uma lufada de ar fresco. Esta coisa da emigração é, acima de tudo, um bocado chata.
Eu no A&E
Ir parar à urgência do hospital por bater com o dedo mindinho do pé na esquina do sofá. Comigo é assim. Não faço a coisa por menos.
Sempre achei que tenho um problema qualquer de orientação espacial, principalmente no que toca a passar entre a porta e a parede e a contornar uma cama ou um sofá. Perdi a conta às vezes em que em vez de passar pela porta como uma pessoa normal dou com o ombro na parede, ou a fazer a cama, bato com as canelas em todo o que é mobília. O dedo mindinho do pé, como é do conhecimento de todos, é sempre o que dói mais e também já não sei quantas vezes me agarrei a ele depois de uma pancada, a morder o lábio para não saírem mais palavrões. Sim, que isto de dizer palavrões, mesmo para quem não o tem por hábito, é um tratamento eficaz para a dor. Principalmente, e como toda a gente sabe, a do dedo mindinho.
Ontem, depois do aperto inicial da dor, a coisa não passou e não conseguia sequer pousar o pé no chão. A pancada tinha sido mesmo forte e o habitual seria doer, mas passar. A velha máxima "Incha, desincha e passa" não se verificou. Um bocado contrariada, lá liguei para o 111, o número para as emergências menos graves, uma espécie de Saúde 24. Depois de assegurar que a pancada com o pé não tinha feito parte de nenhuma tentativa de suicídio e de assegurar também que compreendia que a senhora tinha de me fazer essa e outras perguntas, fui aconselhada a ir ao A&E, que é como quem diz Accident and Emergency ou, em bom português, Serviço de Urgência.
Para meu sossego, grande parte das pessoas na sala de espera sofria aparentemente de maleitas tão insignificantes como a minha. O médico atendeu-me a despachar, com cara de quem nesse dia já tinha visto dezenas de pés magoados e acredito bem que sim. Esta gente foi mais feita para andar de galochas e este calor tem obrigado tudo a andar de chinelos, com o pé ao léu, mesmo à mercê de qualquer esquina. Apalpou o pé, sentiu o inchaço, disse que ia assumir que estava partido, não ia cá perder tempo com raio X. Disse que só avançaria para um exame mais a fundo se eu tivesse o dedo a apontar para um dos lados. Muito bem, senhor doutor, fico feliz que assim não seja. Imobilizou-me o dedo, juntinho ao outro, e disse que o tempo de recuperação ia depender do tipo de lesão, com o máximo de 6 semanas, caso estivesse mesmo partido. Muito pé ao alto, paracetamol ou algo que o valha e a coisa vai ao sítio. E foi assim a minha primeira (e única, espero eu) ida ao serviço de urgência inglês: um dedo mindinho do pé meio partido. Se vierem mais, que sejam todas por isso.
Sempre achei que tenho um problema qualquer de orientação espacial, principalmente no que toca a passar entre a porta e a parede e a contornar uma cama ou um sofá. Perdi a conta às vezes em que em vez de passar pela porta como uma pessoa normal dou com o ombro na parede, ou a fazer a cama, bato com as canelas em todo o que é mobília. O dedo mindinho do pé, como é do conhecimento de todos, é sempre o que dói mais e também já não sei quantas vezes me agarrei a ele depois de uma pancada, a morder o lábio para não saírem mais palavrões. Sim, que isto de dizer palavrões, mesmo para quem não o tem por hábito, é um tratamento eficaz para a dor. Principalmente, e como toda a gente sabe, a do dedo mindinho.
Ontem, depois do aperto inicial da dor, a coisa não passou e não conseguia sequer pousar o pé no chão. A pancada tinha sido mesmo forte e o habitual seria doer, mas passar. A velha máxima "Incha, desincha e passa" não se verificou. Um bocado contrariada, lá liguei para o 111, o número para as emergências menos graves, uma espécie de Saúde 24. Depois de assegurar que a pancada com o pé não tinha feito parte de nenhuma tentativa de suicídio e de assegurar também que compreendia que a senhora tinha de me fazer essa e outras perguntas, fui aconselhada a ir ao A&E, que é como quem diz Accident and Emergency ou, em bom português, Serviço de Urgência.
Para meu sossego, grande parte das pessoas na sala de espera sofria aparentemente de maleitas tão insignificantes como a minha. O médico atendeu-me a despachar, com cara de quem nesse dia já tinha visto dezenas de pés magoados e acredito bem que sim. Esta gente foi mais feita para andar de galochas e este calor tem obrigado tudo a andar de chinelos, com o pé ao léu, mesmo à mercê de qualquer esquina. Apalpou o pé, sentiu o inchaço, disse que ia assumir que estava partido, não ia cá perder tempo com raio X. Disse que só avançaria para um exame mais a fundo se eu tivesse o dedo a apontar para um dos lados. Muito bem, senhor doutor, fico feliz que assim não seja. Imobilizou-me o dedo, juntinho ao outro, e disse que o tempo de recuperação ia depender do tipo de lesão, com o máximo de 6 semanas, caso estivesse mesmo partido. Muito pé ao alto, paracetamol ou algo que o valha e a coisa vai ao sítio. E foi assim a minha primeira (e única, espero eu) ida ao serviço de urgência inglês: um dedo mindinho do pé meio partido. Se vierem mais, que sejam todas por isso.
segunda-feira, 28 de julho de 2014
No Verão passado
Foi no Verão passado com a boca cheia de croquetes que o vi passar lá em baixo. Eu no restaurante, ele mão no bolso a caminho do concerto. Só por causa de uns croquetes, demasiado bons, da falta de jeito para dizer alguma coisa, da ausência de um CD que pudesse autografar, ali fiquei. Faltou-me o impulso para lhe dar os parabéns, dizer que sei as letras todas de trás para a frente, que continue assim, que vai muito bem. Porque estas coisas devem dizer-se, assim de chofre, sem pensar muito. Agora é a única coisa que ouço no carro, o mesmo CD há meses, à espera da próxima oportunidade de o ver.
| António Zambujo |
segunda-feira, 21 de julho de 2014
Bifes mal passados
Apanhei ontem por acaso um programa numa televisão inglesa apresentado por um físico português de renome chamado João Mangueijo. Nunca tinha ouvido falar nele, mas achei interessantíssimo que, sendo português, estivesse assim de repente a apresentar um programa num canal inglês. Pelos vistos, é Professor de Física e "autor da teoria da Velocidade da luz variável que veio questionar a premissa mais básica por trás da Teoria da Relatividade de Einstein" (!!).
Hoje, por coincidência, descobri aqui que, para além de escrever sobre Física, decidiu escrever um livro sobre Inglaterra e os ingleses, visto que mora aqui há 25 anos. Neste livro, Bifes Mal passados, divaga sobre as características desta terra "horrorosa", como ele própio a descreve. Diz ele: "Às tantas uma pessoa dá completamente em doida - é o clima, a comida, a pessoas, as atitudes". Vou ter de comprar o livro só para perceber se vivemos, de facto, na mesma terra.
Hoje, por coincidência, descobri aqui que, para além de escrever sobre Física, decidiu escrever um livro sobre Inglaterra e os ingleses, visto que mora aqui há 25 anos. Neste livro, Bifes Mal passados, divaga sobre as características desta terra "horrorosa", como ele própio a descreve. Diz ele: "Às tantas uma pessoa dá completamente em doida - é o clima, a comida, a pessoas, as atitudes". Vou ter de comprar o livro só para perceber se vivemos, de facto, na mesma terra.
domingo, 20 de julho de 2014
Food styling, parece que se diz assim.
Há qualquer coisa que me fascina nesta nova (ou já não tão nova assim) onda de blogs, instagrams e pinterests, dedicados a divulgar fotografias de comida. Food styling, parece que se diz assim. Eu própria sempre gostei de fotografar os meus pratos, o que já me valeu um telemóvel mergulhado numa lasanha de carne acabada de sair do forno. Sempre fotografei para meu próprio gozo, nem sei muito bem porquê. No meu telemóvel as fotos giram à volta das massas com camarão, do empadão, da alheira com ovo a cavalo ou do bacalhau assado. Manias. Mas isto dos blogs de comida, tem muito mais que se lhe diga. Não é qualquer amador que usa a linha básica de pratos do IKEA que se transforma num bom blogger de comida. Não. É preciso criar todo um ambiente, ter loiça vintage, talheres da avó, bagas vermelhas e sementes de toda a espécie. É preciso saber fazer panquecas, ter muita fruta fresca e suportes de torradas. E é mesmo assim que a coisa se torna viciante: porque os olhos, de facto, também comem. Eu sou fã. Desde que não me venham com os sumos detox, tudo bem.
sábado, 19 de julho de 2014
Coisas que se vendem e eu nunca tinha reparado
Marshmallows e bolachas para barrar. Faz-me pensar que gosto de marshmallows e gosto de bolachas, mas não me apetece barrar nenhum dos dois numa torrada...
Prestes a comprar, não vou aguentar muito mais passar todos os dias por isto no supermercado: Chocolate para o leite (ou para comer à colherada), mas com sabor a Maltesers.
Também devo adquirir em breve: mistura de mostarda Dijon e maionese. Soa-me irresistível.
Depois da histeria na descoberta desta pequena maravilha, está aprovado por mim (várias vezes):
Nem que me pagassem: Refeição de cheeseburguer, pão de hamburguer e batatas fritas, tudo congelado, 3 em 1.
sexta-feira, 18 de julho de 2014
William Hague, A Voz.
Politiquices à parte, este homem devia ter seguido uma carreira na rádio (ou ser narrador de programas da vida selvagem).
Oh não! Outro post sobre corrida...
Até há pouco mais de um ano, não ligava muito ao que calçava para dar a minha corrida na passadeira do ginásio. Desde que comecei a correr na rua, fui obrigada a tomar mais atenção a isso. De repente, com as sapatilhas que usava, parecia que estava a correr descalça, a coisa não amortecia e às vezes os dedos do pé eram empurrados para a ponta da sapatilha. Com o tempo, aquilo começou a incomodar. Os pés ressentiam-se no final, precisava decididamente de investir numas sapatilhas decentes. Tive várias, entre elas umas Nike Dual Fusion, que cumpriram as suas funções de forma exemplar, passaram por chuva, gelo, lama e terra, sempre fiéis. Não sei se é possível os pés ainda crescerem na minha idade, mas de repente começaram a parecer-me pequenas, só eram confortáveis com determinado tipo de meias. Adiei o tempo possível a compra de umas nova, mas os saldo chegaram e havia que aproveitar.
![]() |
| As tais Nike Dual Fusion nos seus tempos áureos, fotografadas por mim qual animal de estimação |
Não pretendo andar para aqui a fazer reviews disto e daquilo, especialmente porque não sendo uma especialista em corrida, muito menos o sou no respetivo equipamento. Acontece que depois do post de ontem, apeteceu-me reservar umas palavras às Adidas Boost, das quais já há muito ouvia falar, mas que só agora comprei.
Apesar de não ter tido coragem de fazer sprints pela loja fora como outro cliente indeciso que por lá andava (para a próxima vai ter que ser!), as sapatilhas pareceram-me suficientemente confortáveis. Notei que tinham bastante amortecimento, que é uma coisa que me agrada. Para minha surpresa, e a propósito da conversa dos pés crescerem ou não nesta idade, tive que escolher um 39 em vez do habitual 38. A decisão não foi imediata porque tive medo de ficar com uns pés gigantes ou de começar a tropeçar neles, mas depois de pensar no Inverno e na possibilidade de usar umas meias mais grossas, resignei-me.
Já corri algumas vezes com elas e estão aprovadíssimas. Pode dizer-se que a sensação não é surpreendente, como seria provavelmente se comprasse umas Springblade, de que falei ontem, mas é bastante agradável. Gosto do facto de serem tão leves e acho que a cor vai ser útil nos dias escuros de Inverno (não é a única cor disponivel).
quarta-feira, 16 de julho de 2014
Springblade Drive Shoes
Outro dia navegava no site da Adidas em busca de umas novas sapatilhas, quando pus os olhos nisto:
Imediatamente me vieram imensas questões à cabeça, nomeadamente se estaria a ver bem ou se aquela sola seria o resultado de uma qualquer ilusão de ótica. Mas não, entretanto vi-as ao vivo e posso comprovar que existem mesmo. Chamam-se Springblade Drive Shoes e prometem desempenhos melhores do que as sapatilhas ditas normais. Aquela espécie de lâminas absorvem o impacto e criam uma propulsão melhorada.
Eles não dizem isso, mas pelo aspeto devem transformar o comum dos mortais em recordista mundial dos 100 metros. A 130 libras, limitei-me a pegar nelas na loja (para tocar nas lâminas e ver melhor com os meus próprios olhos), para logo depois me virar para o expositor dos saldos, que não tem Springblades, mas para o que é, serve. Foi lá que encontrei umas Adidas Boost, que já andava a namorar há que tempos e até agora não desiludiram. As Springblade ficam para quando me dedicar a tempo inteiro ao atletismo.
sábado, 28 de junho de 2014
Em conversa com um menino recém-chegado ao Reino Unido:
- Do you have any pets back in Albania?
- No understand, Miss.
- Do you have any dog, any cat? I used to have a dog...
- Yes, Miss, dogs. 20 dogs.
- 20 dogs?! Are you sure?...
- Yes, Miss. 20 dogs and 200 sheeps, Albania.
Na minha arrogância, achei que ele não dominava os números em inglês, que talvez me quisesse dizer que tinha dois cães. Mas não. Afinal o menino era pastor.
- Do you have any pets back in Albania?
- No understand, Miss.
- Do you have any dog, any cat? I used to have a dog...
- Yes, Miss, dogs. 20 dogs.
- 20 dogs?! Are you sure?...
- Yes, Miss. 20 dogs and 200 sheeps, Albania.
Na minha arrogância, achei que ele não dominava os números em inglês, que talvez me quisesse dizer que tinha dois cães. Mas não. Afinal o menino era pastor.
quinta-feira, 26 de junho de 2014
Cenas do quotidiano
Os
ingleses são, regra geral, indivíduos
civilizados ao volante. Para meu regozijo não
há um que falhe a fazer corretamente as rotundas, nem tão pouco quem estacione a ocupar dois lugares no supermercado.
Também parece que a distância de segurança é um conceito que lhes foi incutido, sabe-se
lá como, mas é difícil percebermos que há alguém impaciente atrás de nós na
auto-estrada, porque não se aproximam
mais do que uns loucos 20 metros. Devem mandar olhares fulminantes de impaciência e barafustar porque não saímos do sítio, mas tudo lá ao longe, como
mandam as boas regras. Também não é comum
ultrapassarem os limites de velocidade, se o limite passa de repente para 40
milhas por hora, vão ali em filinha,
tudo muito bem comportado. Parece-me que isto também é um bocado resultado de
muitas câmaras de controlo e multas que
devem ser a doer, mas a verdade é que a malta cumpre. Quero com isto dizer que
os ingleses são tipos bastante
respeitadores na estrada e, mais do que isso, bastante cordiais. São raros os casos em que não agradecem uma cedência de passagem inesperada e formam filas intermináveis atrás
de bicicletas que não conseguem
ultrapassar à hora de ponta.
Mesmo se agradecemos terem parado para nos deixar fazer uma manobra, respondem
de volta, com um aceno - e até muitas vezes, note-se, com um valente sorriso -
para deixarem claro que nao tem problema nenhum, que tiveram todo o gosto em
esperar. O trânsito baseia-se, portanto,
numa convivência saudável e organizada
entre condutores, ciclistas e peões. Mas
não em Coventry. Coventry é um
mundo à parte.
Não há muito tempo, seguia eu ao volante numa
qualquer rua desta dita cidade quando, ao arrancar num semáforo, deixei o carro
ir abaixo. E era hora de ponta, num daqueles semáforos chatos, em que a fila é
enorme e passam poucos carros de cada vez. Prontamente, os condutores atrás de
mim me fizeram saber que tinha cometido um ato de enorme gravidade ao
brindarem-me com um festival de buzinas. Note-se que eram várias buzinas, com
diferentes intensidades, vindas de variadas distâncias,
portanto soube logo ali que meia cidade estava naquela fila de trânsito. Como sempre acontece nestas situações - principalmente quando se tem em mãos mais um carro desconhecido (sim, porque graças à qualidade
espantosa do carro que comprei, estou a experimentar toda a gama Citroen em
versão carro de substituição) - não
consegui logo pôr o carro a funcionar. Ó,
que afronta! Triplicaram as buzinas, ia jurar até que foram insultos aquelas
palavras que ouvi vindas da janela do carro de trás. E foi aí que vi o filme a
desenrolar-se à minha frente...
Sair do carro e bater com a porta, avançar
lentamente em direção a eles, gritar-lhes
se achavam que eu tinha deixado o carro desligar-se porque me deu na real gana!
Perguntar-lhes depois se tal coisa nunca lhes teria acontecido nas suas
carreiras brilhantes de condutores especialistas em pontos de embraiagem!
Depois berrar-lhes ainda se achavam que buzinar que nem uns brutos ia ajudar-me
a voltar a pôr o carro a funcionar! Tudo
isto num inglês perfeito. Depois
retirava-me, triunfante, eles com a lição
aprendida.
Mas não. Não
saí do carro. Retirei-me, mas não de uma
forma que se possa dizer triunfante. Foi mais pôr-me
ao fresco assim que o carro pegou, meia a suar, meia enrascada.. E fui para
casa a pensar em como era bom de vez em quando uma pessoa ter coragem para
fazer coisas dessas. E já não é a primeira
vez que me pergunto o mesmo, o que deveria ser mais um motivo para o
fazer. Mas depois pensei que talvez não
fosse boa ideia. Pelo menos não em
Coventry, que a coisa ainda dava para o torto.
domingo, 22 de junho de 2014
O Mundial visto daqui (continuação)
O A. convenceu-me. Pela primeira vez na vida ficarei acordada (muito mais) do que o suposto para ver um jogo de futebol em direto. O dia aqui começa a rolar cedo, à semana o despertador toca às 5 e meia e, portanto, por volta das 10 da noite já estamos mais para lá do que para cá. Isto faz com que ver um jogo de futebol com início marcado para as 23 horas seja uma atitude de enorme valentia.
A verdade é que nunca na minha vida vi tantos jogos como durante este Mundial. É a escolha para o serão nos últimos tempos, ver o jogo das 8 até cair para o lado. Acrescente-se que não estou a par de nada do que se passa no mundo futebolístico, não conheço as equipas, nao conheço os treinadores, confundo os jogadores todos e assim bem bem só sei quem são o Ronaldo e o Messi. Prova disso é outro dia ter comentado com o meu irmão que era canja porque estávamos no grupo do Gana e dos Estados Unidos, que eram equipas que ninguém dava nada por aquilo, e ele ter precisamente respondido que aquilo era comentário de quem nao percebia nada de futebol.
A bandeira até caiu da parede cá de casa com o peso da derrota de Portugal no último jogo. No entanto, ponderamos levantá-la outra vez e até eventualmente, se a coisa mais para a frente correr bem, colocá-la bem visível na janela para que a vizinhança saiba quem mora (e manda) aqui. A ver vamos. Para já o maior desafio será mesmo aguentar os olhos abertos até ao final do jogo.
A verdade é que nunca na minha vida vi tantos jogos como durante este Mundial. É a escolha para o serão nos últimos tempos, ver o jogo das 8 até cair para o lado. Acrescente-se que não estou a par de nada do que se passa no mundo futebolístico, não conheço as equipas, nao conheço os treinadores, confundo os jogadores todos e assim bem bem só sei quem são o Ronaldo e o Messi. Prova disso é outro dia ter comentado com o meu irmão que era canja porque estávamos no grupo do Gana e dos Estados Unidos, que eram equipas que ninguém dava nada por aquilo, e ele ter precisamente respondido que aquilo era comentário de quem nao percebia nada de futebol.
A bandeira até caiu da parede cá de casa com o peso da derrota de Portugal no último jogo. No entanto, ponderamos levantá-la outra vez e até eventualmente, se a coisa mais para a frente correr bem, colocá-la bem visível na janela para que a vizinhança saiba quem mora (e manda) aqui. A ver vamos. Para já o maior desafio será mesmo aguentar os olhos abertos até ao final do jogo.
O meu blog nas bocas do mundo
Exagero meu. Mas o que é certo é que o Inside Job falou de mim e do meu blog aqui e isso é um enorme motivo de orgulho. Afinal de contas ainda há quem passe os olhos neste meu blog, cada vez mais domingueiro e com uns certos ares de decrépito. Até parece que se renovou a vontade de continuar a escrever, sabe-se lá bem do quê e para quê, mas de continuar a escrever nem que seja porque assim até dá gozo.
domingo, 15 de junho de 2014
O Mundial visto daqui
Um anoitecer perto dos 20°C e um cheiro a churrasco no ar. À porta dos pubs, amontoados de adeptos naquele nervoso miudinho, era o Inglaterra-Itália, mas parece que o mundo todo saiu à rua. Na primeira tentativa de escolher um lugar qualquer em frente a um ecrã, informam-nos que o pub atingiu a lotação máxima, não deixam entrar mais ninguém. Conseguimos à segunda e espreitamos por entre duas colunas que nos roubam parte da imagem numa sala lotada de gente. Ingleses, julgamos nós. Ao primeiro golo de Itália, metade do pub grita de euforia, afinal não somos os únicos infiltrados. A outra metade olha curiosa, para ver quem ousa festejar assim, acho que também não se tinham apercebido que a sala afinal não torcia toda para o mesmo lado. Ao som dos gritos desesperados de incentivo "Come on, England!" vindos lá das primeiras filas, dou por mim a festejar o golo de Inglaterra. Estava a torcer por Inglaterra, pois! Itália não me diz nada, Inglaterra diz-me cada vez mais. Portanto nisto do Mundial, arrumei as ideias: Portugal vem em primeiro, mas Inglaterra em segundo. Amanhã jogamos nós e seremos mais portugueses do que nunca. Vai emocionar-nos o hino, o Ronaldo, o sermos portugueses no meio deles. Fingers crossed, "Come on, Portugal!".
domingo, 1 de junho de 2014
tak? tak.
Por trabalhar num serviço de suporte a grupos minoritários numa câmara municipal vizinha, lido todos os dias com pessoas de todo o mundo. Quando digo todo o mundo, é mesmo todo o mundo (ou pelo menos metade será com certeza): só entre os meus colegas conto naturais da Síria, Malásia, Paquistão, Roménia, Polónia, Eslováquia, Congo e outros que nem sei. Depois somam-se mais países no encontro com famílias que passam pelo nosso serviço. É uma verdadeira viagem todos os dias, e há sempre tema de conversa nas horas vagas porque num país é assim e no outro assado. Ouço todos os dias línguas muito diferentes e se há algumas em que vou percebendo uma ou outra palavra, outras há em que não apanho uma única expressão. É o caso do polaco, que é também o motivo deste post.
Esta semana acompanhei uma colega polaca em várias visitas domiciliárias pela cidade. Coincidentemente, algumas famílias que visitámos eram polacas, o que fez com que assistisse a várias conversas entre a minha colega e as famílias na língua nativa. É uma sensação estranha não perceber absolutamente nada do que duas pessoas conversam, não perceber sequer se é agora que se estão a despedir, se a conversa vai a meio ou no final. Um som repetido dezenas de vezes era tac, que afinal se escreve tak e, como eu suspeitava (a minha única aposta certeira - também mau era...), quer dizer sim em polaco. É um som muito curioso que nós, portugueses, usaríamos mais para descrever o barulho de uma batida do que como uma palavra propriamente dita. E acontece que os polacos, tal como os portugueses e provavelmente todos os povos do mundo, usam muitas vezes o "sim, sim, sim, sim" para responder a uma pergunta em vez de um simples "sim". Divertiu-me ouvir aquele som repetido com uma destreza incrível tak, tak, tak, tak. Depois outra vez, na pergunta seguinte: tak, tak, tak, tak. A toda a hora o tak, tak, tak, tak. Depois só duas vezes tak, tak e depois outra vez várias tak, tak, tak, tak.
No meio daquele martelar fluído e de uma conversa involuntariamente secreta, senti o coração cheio, tão longe e tão perto daquelas pessoas. Pensei em como muitas vezes num dia de trabalho e sentada numa cadeira dou voltas e voltas ao mundo: todos os dias mais coisas novas, coisas boas, que me chegam sem pedir e sem esperar.
Esta semana acompanhei uma colega polaca em várias visitas domiciliárias pela cidade. Coincidentemente, algumas famílias que visitámos eram polacas, o que fez com que assistisse a várias conversas entre a minha colega e as famílias na língua nativa. É uma sensação estranha não perceber absolutamente nada do que duas pessoas conversam, não perceber sequer se é agora que se estão a despedir, se a conversa vai a meio ou no final. Um som repetido dezenas de vezes era tac, que afinal se escreve tak e, como eu suspeitava (a minha única aposta certeira - também mau era...), quer dizer sim em polaco. É um som muito curioso que nós, portugueses, usaríamos mais para descrever o barulho de uma batida do que como uma palavra propriamente dita. E acontece que os polacos, tal como os portugueses e provavelmente todos os povos do mundo, usam muitas vezes o "sim, sim, sim, sim" para responder a uma pergunta em vez de um simples "sim". Divertiu-me ouvir aquele som repetido com uma destreza incrível tak, tak, tak, tak. Depois outra vez, na pergunta seguinte: tak, tak, tak, tak. A toda a hora o tak, tak, tak, tak. Depois só duas vezes tak, tak e depois outra vez várias tak, tak, tak, tak.
No meio daquele martelar fluído e de uma conversa involuntariamente secreta, senti o coração cheio, tão longe e tão perto daquelas pessoas. Pensei em como muitas vezes num dia de trabalho e sentada numa cadeira dou voltas e voltas ao mundo: todos os dias mais coisas novas, coisas boas, que me chegam sem pedir e sem esperar.
sexta-feira, 30 de maio de 2014
tchim-tchim
Não é coisa que alguma vez me tenha passado pela cabeça: pintar o cabelo. Na verdade, ir ao cabeleireiro nunca foi das minhas atividades preferidas e, não raras vezes, em tempos idos, optei eu própria por dar umas tesouradas mais ou menos certeiras na cabeleira. Mas o dia chegou em que as brancas já eram demasiadas para não reparar. Devagar devagarinho lá fui aceitando a ideia de que mais tarde ou mais cedo teria que me decidir a dar um jeito nisto. E assim foi. A medo, muito a medo, escolhi com a ajuda da cabeleireira, a amostra de cabelo cuja cor se parecia mais com a minha. Como sei que as inglesas se perdem por um belo cabelo rosa-choque, azul ou vermelho fósforo, estava um tanto ou quanto receosa que o conceito inglês de uma cor de cabelo discreta fosse ligeiramente diferente do português. Felizmente estava enganada, as minhas preces foram ouvidas. A coisa não correu assim tão mal como isso e ali sentada inaugurei uma nova fase da vida. De uma forma simbólica, mas inaugurei. Ainda por cima, pelo caminho, fiquei a saber que o George Clooney está noivo e que o Príncipe Harry deixou de estar. As coisas que uma pessoa aprende na tarde em que decide que agora é que é.
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| Tchim-tchim, Mr. Clooney |
domingo, 18 de maio de 2014
Todo o percurso é feito numa sucessão de duas etapas: as subidas e as descidas. As descidas não saberiam ao mesmo se não fossem as subidas e não aguentaria as subidas se não fossem intervaladas com descidas. Esta ideia fica incrivelmente nítida na minha mente e transforma-se num jogo psicológico difícil, num diálogo interno constante ao ritmo dos passos e da música. A visão de uma subida que se avizinha requer o esforço de antever a descida que se segue e agarrar-me a isso para aguentar. Os meus pés fervem, incomoda-me tudo, até o cabelo a baloiçar a partir do elástico. Procuro desesperadamente a música milagrosa, a minha power song, mas há dias em que nem isso resulta.
O pior na corrida são os dias quentes. Mesmo de manhã, depois dos primeiros dez minutos, já tenho a sensação de que estão 40 graus. Venham mil manhãs geladas e escorregadias no pico do Inverno que eu troco por uma destas manhãs infernais.
O pior na corrida são os dias quentes. Mesmo de manhã, depois dos primeiros dez minutos, já tenho a sensação de que estão 40 graus. Venham mil manhãs geladas e escorregadias no pico do Inverno que eu troco por uma destas manhãs infernais.
sábado, 17 de maio de 2014
Lincoln, essa bela localidade
Os guias American Express nunca falham. Parámos na página que falava sobre Lincoln, lemos na diagonal, olhámos para as imagens, a catedral prometia. Estava decidido. Lincoln seria.
Metemo-nos no carro naquele que foi provavelmente o dia mais chuvoso desde que aqui chegámos. Um temporal e 90 milhas separavam-nos de Lincoln, mas estávamos decididos a pôr os olhos naquela que foi em tempos a quarta cidade mais importante de Inglaterra e que, ao contrário das planícies a que estamos habituados, "ergue-se de forma imponente numa falésia sobre o rio Witham".
Para além de não falharem, os guias também não mentem: É ainda ao longe, na parte final da viagem, que se começa a ver Lincoln - a falésia, as torres da catedral e o moinho. É uma imagem pouco comum nas Midlands, uma montanha no meio das planícies. Ao começar a subida a pé para a catedral imediatamente nos vem à memória Sintra e o batizado é feito logo ali: para nós, esta é uma espécie de Sintra inglesa.
Para quem esteja a pensar em visitar Lincoln, aqui ficam dois conselhos. Deixem a visita para o próximo ano, porque terão a sorte de usufruir do castelo depois da enorme recuperação que estão agora a fazer. Se o preço se mantiver, a entrada continuará a custar apenas £2. Para além disso, assegurem-se de que não vão no mesmo dia em que acontece o Grande Prémio de Ciclismo da zona. Não é que não seja entusiasmante ver a prova ao vivo, mas tenho a sensação de que a cidade ganha em ser visitada num dia mais calmo.
Rompendo entre os magotes, chegámos finalmente à catedral. Seja em que parte do mundo for, a entrada numa catedral há de ser sempre acompanhada de um misto de alívio e bem-estar. Por dentro, surpreendeu-me mais o tamanho do que a beleza, mas o coro é de uma grandiosidade que não esperava. A entrada é grátis ao domingo.
No final, descobrimos onde melhor apreciar a vista a partir de Lincoln e o sol juntou-se por momentos à festa. Voltámos já debaixo de chuva, com Leamington e o aconchego de um final de domingo à nossa espera.
Metemo-nos no carro naquele que foi provavelmente o dia mais chuvoso desde que aqui chegámos. Um temporal e 90 milhas separavam-nos de Lincoln, mas estávamos decididos a pôr os olhos naquela que foi em tempos a quarta cidade mais importante de Inglaterra e que, ao contrário das planícies a que estamos habituados, "ergue-se de forma imponente numa falésia sobre o rio Witham".
Para além de não falharem, os guias também não mentem: É ainda ao longe, na parte final da viagem, que se começa a ver Lincoln - a falésia, as torres da catedral e o moinho. É uma imagem pouco comum nas Midlands, uma montanha no meio das planícies. Ao começar a subida a pé para a catedral imediatamente nos vem à memória Sintra e o batizado é feito logo ali: para nós, esta é uma espécie de Sintra inglesa.
Para quem esteja a pensar em visitar Lincoln, aqui ficam dois conselhos. Deixem a visita para o próximo ano, porque terão a sorte de usufruir do castelo depois da enorme recuperação que estão agora a fazer. Se o preço se mantiver, a entrada continuará a custar apenas £2. Para além disso, assegurem-se de que não vão no mesmo dia em que acontece o Grande Prémio de Ciclismo da zona. Não é que não seja entusiasmante ver a prova ao vivo, mas tenho a sensação de que a cidade ganha em ser visitada num dia mais calmo.
Rompendo entre os magotes, chegámos finalmente à catedral. Seja em que parte do mundo for, a entrada numa catedral há de ser sempre acompanhada de um misto de alívio e bem-estar. Por dentro, surpreendeu-me mais o tamanho do que a beleza, mas o coro é de uma grandiosidade que não esperava. A entrada é grátis ao domingo.
quinta-feira, 8 de maio de 2014
gogglebox e uma pergunta
Como é que um programa de televisão sobre pessoas a ver televisão, nos faz rir e chorar?
domingo, 27 de abril de 2014
Qual Lady Mary
Qual Lady Mary, mas de sapatilhas e bilhete de entrada, lá fui eu, com o Highclere Castle à minha espera. Comprei as entradas em novembro, quando anunciaram os dias de abertura na Páscoa. Para mim, como para qualquer fã da série Downton Abbey, este é um lugar obrigatório de peregrinação. É claro que não fui só por causa da série (mas quase).
A verdade é que, seja pela série, seja pelo castelo em si, a coisa vale mesmo a pena. Por só abrirem ao público em dias muito específicos, surpreendeu-me não encontrar uma romaria com direito a engarrafamentos. Pelo contrário, os visitantes não eram muitos e a propriedade, que inclui castelo e jardins, é tão extensa que as pessoas se encontram suficientemente dispersas.
Apesar de não permitirem fotografias no interior da casa, quase todos os compartimentos são visitáveis. Começa-se na biblioteca, passa-se em algumas salas de estar, nos diferentes quartos (e casas de banho), desce-se a escadaria que dá para a ala central do edifício e visita-se a sala de jantar. É uma sensação ótima reconhecermos os recantos da casa em que se passaram determinadas cenas, parece mesmo que as personagens vão surgir do nada.
É boa ideia trazer o almoço, o espaço no jardim é infinito e, apesar da visita ao castelo estar limitada à parte da manhã ou da tarde, os visitantes podem ficar o dia todo na zona exterior.
A viagem nesta altura do ano é particularmente bonita porque grande parte do percurso está cercado por campos de um amarelo intenso, que resulta da plantação de flores para a produção de óleo de canola (ou colza, o que quer que isso seja). Para além disso, o castelo fica a menos de uma hora de Stonehenge.
A verdade é que, seja pela série, seja pelo castelo em si, a coisa vale mesmo a pena. Por só abrirem ao público em dias muito específicos, surpreendeu-me não encontrar uma romaria com direito a engarrafamentos. Pelo contrário, os visitantes não eram muitos e a propriedade, que inclui castelo e jardins, é tão extensa que as pessoas se encontram suficientemente dispersas.
Apesar de não permitirem fotografias no interior da casa, quase todos os compartimentos são visitáveis. Começa-se na biblioteca, passa-se em algumas salas de estar, nos diferentes quartos (e casas de banho), desce-se a escadaria que dá para a ala central do edifício e visita-se a sala de jantar. É uma sensação ótima reconhecermos os recantos da casa em que se passaram determinadas cenas, parece mesmo que as personagens vão surgir do nada.
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| À saída, mas ainda dentro da propriedade. |
É boa ideia trazer o almoço, o espaço no jardim é infinito e, apesar da visita ao castelo estar limitada à parte da manhã ou da tarde, os visitantes podem ficar o dia todo na zona exterior.
A viagem nesta altura do ano é particularmente bonita porque grande parte do percurso está cercado por campos de um amarelo intenso, que resulta da plantação de flores para a produção de óleo de canola (ou colza, o que quer que isso seja). Para além disso, o castelo fica a menos de uma hora de Stonehenge.
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| A foto possível dos campos amarelos |
Quanto ao Downton Abbey, apesar de ainda não lhes ter perdoado terem morto o Mathew, aguardo ansiosamente a próxima temporada.
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