Portugal continua no sítio, o cheiro a casa, a comida da minha mãe, Braga. Fui ao Pingo Doce e fiquei maravilhada. Insultei secretamente os ingleses, senti repulsa pelos supermercados de cá, pela fruta verde e cara, pelas peixarias com peixe escasso, desmaiado e de olhos baços. De um impulso, apeteceu-me trazer tudo o que havia na zona dos legumes, das frutas, do peixe. Encher-me de tudo o que eles nem sequer conhecem. Corri em Braga, na zona pedonal que acompanha o rio e que ainda não conhecia. De comboio, passámos depois por Lisboa para seguir para o Algarve. Fiquei contente por finalmente conhecer mais ou menos a fundo o que há para além de Oriente, passar dois dias a olhar para cima, ir ver a Amália, calcurriar Alfama, subir ao castelo de S.Jorge e beber no Bairro Alto. Andar de elétrico, ver carteiristas em ação e uma cena de pancadaria ao chegar a Belém. Agora posso morrer em paz.
Depois o Algarve e aquilo que já se sabe: água fria, ingleses e alemães por todo o lado e promessas falsas de ver golfinhos na costa. Pelo caminho, visitar Sagres e encontrar a fortaleza envolta em nuvens, num efeito verdadeiramente surreal. Ler à sombra, comer amêijoas, molhar os pés e o tempo voou.
Ligeiramente contrariada, estou de volta a Inglaterra, a Leamington. A viagem correu bem, apesar daquele senhor sentado na fila da frente do lado direito que parecia mesmo, mesmo um terrorista e de ter ficado convencida, a certa altura, que o avião estava às voltas em Londres antes de aterrar porque, obviamente, o trem de aterragem não tinha descido. O voo saiu de Faro atrasado por causa da greve dos controladores aéreos em Itália, e só às 5 da manhã pude deitar a cabeça na almofada e descansar destas andanças (e paranóias) aéreas. Até ao Natal, Portugal.
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