Conduzir 200 kms por dia. Sem tempo para o blog, mas com tempo de sobra para redescobertas:
sexta-feira, 31 de julho de 2015
sexta-feira, 17 de julho de 2015
O cinema aqui da terra
Eu tanto queria ver o Amy e tenho que levar com semanas e semanas de Minions e Ted 2 e outras maravilhas.
quinta-feira, 9 de julho de 2015
De Liverpool à Snowdonia
Um bom refúgio foi o The Beatles Story. Bastante detalhado, entra na história dos Beatles ao pormenor e até tem um yellow submarine para tirar fotos. Valeu na parte final, cansada que estava de andar a tarde toda, disse ao A. que ia sentar-me por ali uns minutos enquanto ele explorava aquela parte. Calharam-me umas almofadas numa pequena sala dedicada ao John Lennon, onde passava um documentário sobre ele. Ali fiquei, a repôr energias, ora olhando para o mapa de Liverpool que trazia comigo, ora olhando um bocado embasbacada para os óculos que o John Lennon usou enquanto compunha a Imagine. De todo o museu, aquilo foi o que mais me impressionou. Como é possível não tornarem aqueles óculos na imagem de marca do museu? Ele usou-os, são os originais, e com eles compôs a Imagine. E estão ali, meios a um canto.
| O Queen Mary 2, ao entardecer em Liverpool |
| Vista das docas de Liverpool, a partir de uma das salas do Tate |
Decidimos estender a viagem de regresso e atravessar a Snowdonia, parque nacional no norte de Gales. Escolha acertadíssima, de repente parecia que tínhamos voltado à Escócia, a atravessar estradas no meio de montanhas, com aqueles céus pesados, quase apocalíticos. Antes, parámos para almoçar em Colwyn Bay, terra costeira já em Gales. Achámos a terra ligeiramente deprimente, mas até se descobre um certo conforto nestas coisas: enquanto chove torrencialmente, apreciar uma cottage pie, de frente para o Irish sea. Acho que começo a gostar disto. Até já anseio pelo Inverno.
sexta-feira, 3 de julho de 2015
Mas eu não ponho espinafres
Uma nota para um acontecimento nunca antes visto: comprar uma Nutribullet, um gadget de cozinha ao estilo Televendas, e volvido um mês e qualquer coisa, continuar a usá-lo regularmente.
quinta-feira, 2 de julho de 2015
Acalmem-se lá
Vi eu ontem, com os meus próprios olhos, imagens em direto do helicópetro da Sky News que sobrevoava pessoas em fato de banho num qualquer parque londrino. Em breaking news, num ambiente de algum dramatismo, estava a onda de calor que assolava o Reino Unido.
Mas hoje já dão chuva...
Mas hoje já dão chuva...
quarta-feira, 1 de julho de 2015
Ela saiu de casa em direção ao supermercado: como sempre, como quase todos os dias, a casa precisava de ser abastecida de coisas elementares. Naquele dia cinzento, e na tentativa de escapar à interação social que envolve o pagamento numa caixa normal, ela optou pelo self check out, era perfeito. Ela sabia que ao dirigir-se para uma caixa normal, teria provavelmente de descrever como estava a ser o seu dia so far e quais os planos para o fim de semana. Ia responder com simpatia, ela achava curioso aqui as pessoas fazerem essas perguntas. Mas não estava para aí virada, naquele dia tudo isso lhe parecia interação a mais. A carregar com o cesto, que, como quase sempre, estava demasiado pesado, lá aterrou numa das caixas self service. Enquanto começa, interroga-se porque é que o volume das instruções automáticas estará sempre tão alto nestas caixas. WELCOME! PLEASE, SCAN YOUR FIRST ITEM! Os bips repetem-se à velocidade da luz, ela sente-se uma autêntica profissional. Já sabe as manhas da máquina e as compras sucedem-se do cesto para o saco a uma velocidade razoável. De repente, aparece um nabo. É verdade, ela lembra-se agora, tinha pegado no nabo logo no início, achou de repente que usava pouco nabo na sopa e quase nunca o via nas prateleiras do supermercado. Então decidiu trazê-lo. Não querendo abrandar o ritmo, ela rola o nabo com as duas mãos, de certeza que deve ter um pequeno autocolante com um código de barras. Não encontrando nenhum código, lembra-se que é uma chatice, que quando é assim, a máquina prevê que se procure o produto alfabeticamente. Com o indicador esticado na direção da máquina, ela não se consegue lembrar como se diz nabo. A palavra está-lhe mesmo debaixo da língua, mas que raio... ela não se consegue lembrar... nabo, nabo, ela sabe, mas não se lembra. Era o que mais faltava àquela dona de casa, ela que queria era despachar as compras e sair dali para fora, agora não consegue lembrar-se como se diz nabo. Todos os outros legumes dançam na sua cabeça, ela lembra-se de todos os ingredientes para a sopa, e até de alguns vegetais mais exóticos, mas o nabo, esse não. Por que raio havia ela de ter tido a ideia de trazer um nabo? Ela que quase nunca compra nabo e que até nem lhe aprecia particularmente o sabor, foi de impulso colocar um nabo no cesto e agora estava ali, enrascada. No fundo, ela sabe que é sempre assim, e montes de ditados populares lhe atravessam a mente, todos a dizer o mesmo, que às vezes quanto mais pressa temos, mais devagar andamos. Discretamente, chama a atenção do funcionário que lá está. Mas ela não dá parte de fraca, não lhe diz que só se lembra como se diz nabo em português. Em vez disso, e com ar desinteressado, pergunta-lhe se aquilo não devia ter um código ou algo do género. Solícito e rápido, o funcionário explica que naquele caso, há que procurar o nome do produto e lá vai ele, cheio de iniciativa, com o indicador esticado, selecionar o turnip, quantidade: 1. TURNIP! Agora a dona de casa lembra-se! É isso, claro, TURNIP! E ela agradece-lhe o facto de ele ter explicado o procedimento, ela não sabia o que fazer, porque o nabo não tinha código. Sai do supermercado uma dona de casa pensativa, é assim mesmo, uma pessoa está sempre a aprender. E desde aquele dia, a dona de casa não voltou a esquecer-se como se diz nabo.
segunda-feira, 22 de junho de 2015
Ultimamente, correr é como sair acompanhada de um menino mimado e caprichoso que faz birras quando quer e que explode se não o levo para casa assim que se cansa do passeio. Disse-me a ortopedista que a culpa é da anca, mas eu acho que não se deve pôr assim a culpa nos outros. A culpa é dele, da enorme criatividade que tem para desenvolver queixumes de toda a espécie, por dá-cá-aquela-palha. Eu falo-lhe de mansinho, abrando o ritmo, que talvez esteja apenas a passar por uma fase mais sensível, mas fases não costumam durar tanto. Isto deve ser traço de personalidade, um joelho difícil de nascença, um caso perdido que só está feliz entregue à preguiça.
quinta-feira, 18 de junho de 2015
Posso estar nisto para sempre
Tropecei num livro em grande destaque, muito falado, de uma Paula Hawkins, chamado A Girl on the train. Embora saiba que os números de vendas de livros nem sempre são diretamente proporcionais à qualidade dos mesmos, decidi trazê-lo comigo. Andava desleixada nas minhas leituras e sei que é importante ter sempre um bom livro de cabeceira, ideia que tenho como certa desde a era de Uma Aventura, Arrepios, Triângulo Jota e Adrian Mole.
Agravelmente impressionada depois de ter lido o livro, fui pesquisar sobre a autora. Numa entrevista, ela refere que muita da inspiração para escrever este A girl on the train veio de Agatha Christie e em particular de um livro chamado And then there were none (Convite para a morte, na versão portuguesa). Tendo crescido com uma mãe fã de Agatha Christie, nunca me ocorreu pegar num dos muitos livros dela que andam lá por casa dos meus pais. Pensei que tinha chegado a altura e já que And then there were none é o policial mais lido de todos os tempos, não sobraram grandes dúvidas quanto à minha próxima leitura. Comprei o paperback mais barato que encontrei na Amazon e li-o em dois ou três dias. Ainda na ressaca de todos aqueles crimes e com o epílogo ainda a pairar na minha cabeça, descobri neste blog (também emigrado) a referência a outro bom policial de um autor norueguês que tinha como principal inspiração precisamente Agatha Christie. Trouxe-o com algum pó, de uma prateleira escondida da secção de crime da livraria aqui da terra. The Human Flies (Crime num quarto fechado), de Hans Olav Lahlum promete já nas primeiras páginas.
Agravelmente impressionada depois de ter lido o livro, fui pesquisar sobre a autora. Numa entrevista, ela refere que muita da inspiração para escrever este A girl on the train veio de Agatha Christie e em particular de um livro chamado And then there were none (Convite para a morte, na versão portuguesa). Tendo crescido com uma mãe fã de Agatha Christie, nunca me ocorreu pegar num dos muitos livros dela que andam lá por casa dos meus pais. Pensei que tinha chegado a altura e já que And then there were none é o policial mais lido de todos os tempos, não sobraram grandes dúvidas quanto à minha próxima leitura. Comprei o paperback mais barato que encontrei na Amazon e li-o em dois ou três dias. Ainda na ressaca de todos aqueles crimes e com o epílogo ainda a pairar na minha cabeça, descobri neste blog (também emigrado) a referência a outro bom policial de um autor norueguês que tinha como principal inspiração precisamente Agatha Christie. Trouxe-o com algum pó, de uma prateleira escondida da secção de crime da livraria aqui da terra. The Human Flies (Crime num quarto fechado), de Hans Olav Lahlum promete já nas primeiras páginas.
quinta-feira, 11 de junho de 2015
Corridas matinais
Pagava para poder ver as imagens de CCTV da dancinha que fiz no momento em que, à saída do parque, quase era mordida nas canelas por uma espécie de caniche gigante.
Esta cidade em que ser "polite" é a regra e não a exceção
Páro no passeio porque há uma carrinha destas das obras a recuar e a tentar entrar na estrada, com a ajuda de um parceiro a dar indicações do lado de fora. De repente, ele berra para o condutor: "HOLD ON, MATE!!! HOLD ON, MATE!!" para a seguir me dar indicação de passagem com a mão: "After you". Assim, sim.
quinta-feira, 4 de junho de 2015
Já não se vende disso?
Varro a secção da fruta com o olhar e analiso a seleção de uvas. Apanham-me de assalto memórias de tardes quentes na aldeia do meu pai, essa terra de penedos das bruxas e uva moscatel. Os cachos, muitas vezes colhidos por nós, davam-nos bagos doces e quentes que comíamos enquanto víamos os tratores passar. Eu, os meus irmãos, os meus primos. Eram essas uvas que eu queria hoje. Não eram estas, verde pálido, que anunciam na embalagem a ausência de grainhas. Eu queria uvas moscatel. Ou podiam até nem ser moscatel, desde que tivessem grainha.
sexta-feira, 29 de maio de 2015
Levei todo o meu equipamento de corrida para esta semana em Portugal, mas viver nesta ilha sombria há dois anos está a fazer os seus estragos. Eu sabia que ia estar calor, mas já não me lembrava de correr com mais de 20 graus e até estranhei ver a minha sombra refletida no chão enquanto corria. A nova zona pedonal ao longo do rio foi uma ideia ótima, mas dada a falta de arvoredo, deve estar-se lá bem antes das 8 da manhã ou depois das 8 da noite. Dada a extensa lista de compromissos típica do emigrante que regressa à terra por 8 dias, não consegui ir tão cedo nem tão tarde, o que quer dizer que sofri com o sol a horas em que devia era estar refugiada numa qualquer sombra, a fazer nenhum. Com a cara besuntada de protetor solar, lá consegui cumprir os 10kms, mas a coisa foi tão dura que no dia seguinte fui correr para um ginásio, aproveitando a boleia do meu pai, que podia levar um convidado. A menina bem me tentou vender a mensalidade e eu não me enchi de coragem para lhe dizer que era emigrante, que não me ia inscrever em ginásio nenhum, que só ali tinha ido porque lá fora estava muito calor e ali a zona das passadeiras era climatizada. Shame on me.
"..."
Alguém lhes diga que fazer constantemente o gesto de aspas com os dedos não elucida nem mais nem menos acerca daquilo que estão a tentar dizer.
quarta-feira, 20 de maio de 2015
sexta-feira, 15 de maio de 2015
É já para a semana
É um grau de felicidade tão grande que se torna inexplicável. Não no sentido de não ser possível explicar a sua origem, mas antes por ser difícil transpô-lo para palavras. Pouco mais de duas horas e meia de viagem servem para que haja em mim a maior amplitude de felicidade imaginável. Agora há só um caminho: ir em frente, continuar em frente, deixar o avião para trás e aquele sentimento miserável do aeroporto de cá. Caminhar seguindo as placas: Saída, primeiro em português, só depois em inglês. Varrer as caras anónimas que esperam os passageiros recém-chegados e encontrar o conforto dos meus pais, a minha mãe a acenar, os dois a sorrir. Eu sorrio, mas é uma contenção. Pudesse eu e dava piruetas de alegria ou trazia atrás de mim uma fanfarra.
quinta-feira, 14 de maio de 2015
Há uma primeira vez para tudo
Ontem fiz o meu primeiro squat. Eu nem sabia bem o que isso era, mas já ouvia falar há muito tempo. Com a ausência surpresa da professora de spinning, a aula foi substituída por uma sessão de pernas e abdominais, mas sem bicicleta. Hoje continuo sem me conseguir mexer muito, mas se googlarem squats, só aparecem imagens de rabos tonificados, por isso a coisa há de ser popular por algum motivo.
quarta-feira, 13 de maio de 2015
Isto é para lá de hipster.
Que nem dois macacos de imitação fomos a correr comprar uma máquina analógica assim que o meu irmão apareceu aqui com uma na Páscoa. Pesquisámos algum tempo e o assunto até estava mais ou menos adormecido até ao dia em que, ao regressar de uma breve visita a Cheltenham, decidimos entrar numa car boot sale às portas da cidade. Até nem íamos em busca da máquina em particular, estávamos só curiosos com um ajuntamento tão grande de carros e pessoas e decidimos espreitar. Estacionámos onde encontrámos lugar e lá fomos na enxurrada, até chegar à entrada improvisada, onde nos cobraram 20p, quantia mais do que modesta pelo que a feira prometia. O nome car boot sale é literal, a feira consiste numa quantidade enorme de carros estacionados, muitas vezes com a boot aberta, em que vendedores solitários ou acompanhados vendem o possível e o imaginário. Podem ir à car boot sale se precisarem de coisas tão variadas como papel higiénico, plantas para o pátio, legumes para o jantar, brinquedos para os miúdos, serviços de chá e todo o tipo de loiças, equipamento para a caça, peças para motores de motas e automóveis, e por aí adiante. Tudo ao preço da chuva. E nós para lá andávamos, embrenhados, de olhos postos em tudo o que nos aparecia à frente. Sem nada comprado, avistámos uma banca que vendia de tudo, incluido material fotográfico. Quando nos aproximámos vimos uma Praktica, que já tínhamos ponderado como possível compra durante a nossa investida na Internet em busca de máquinas analógicas. Depois de receber ordens da mãe, o pré-adolescente que parecia responsável pela venda, vem ter connosco e assegura-nos que a máquina funciona bem, só falta uma pilha. São 5 libras. Ficámos surpreendidos, mesmo que não funcione, por 5 libras, já cá canta. Trouxemo-la contentes, como quem traz uma relíquia ou um pedaço de história. De onde viria? A quem teria pertencido?
terça-feira, 12 de maio de 2015
quarta-feira, 6 de maio de 2015
sexta-feira, 1 de maio de 2015
Pilates will kill ya
Dissemos "bom dia" ao entrar na sala e ninguém respondeu. Agora olhando para trás, desconfio que já estava tudo em modo meditação. Esticámos os tapetes e ali ficámos, de meias, à espera do próximo passo. O professor reconhece as caras novas e vem ter connosco, diz-nos que aquela é uma aula puramente verbal: Ele debita e nós fazemos. Sorte a minha, não sei nada sobre Pilates e agora vou ter de interpretar tudo o que ele vai dizendo, sem direito a demonstração. Ao observar a sala, desconfio que os meus colegas já são veteranos e, como novata prestes a experimentar uma aula de Pilates puramente verbal, sinto uma mistura de pânico contido com o típico sentimento de quem nunca experimentou mas se acha francamente superior a esta espécie de conjunto de alongamentos zen a meia luz. Tento acompanhar a conversa do professor, mas não conheço nenhuma das posições de que fala. Vou tentanto copiar o que meus companheiros estão a fazer e fico surpreendida com a dificuldade dos movimentos e com a força envolvida. Afinal isto parece que tem a ver com tonificação e aumento da força de alguns músculos. Acabo a aula e o professor vem ver que tal: digo-lhe que achei mais difícil do que imaginava e ele faz aquele ar de quem está habituado a pessoas que acham que Pilates é para meninos, mas depois descobrem que afinal não é nada.
segunda-feira, 13 de abril de 2015
Spinning - Parte 1
Penso que não vou aguentar mais e sinto a gota de suor a escorrer-me pela têmpora. Com os dentes cerrados e o pensamento demasiado longe, volto à realidade com um grito poderoso vindo lá da frente "Faster!". Eu tento, e até consigo sempre. Mas acho sempre que não vou conseguir. Acho até que ela não pode ser totalmente humana, por conseguir dar duas aulas seguidas assim. O meu colega do lado sai da sala, eu penso em desistir quando ela começa finalmente a contagem decrescente: "Five...". Eu penso "já vai acabar","já vai acabar", "já vai acabar" - "Two...One... Ok!". Consegui. Uns segundos depois, recomeça tudo, e ela parece ainda mais tresloucada, canta partes de uma versão alterada da Billy Jean, enquanto continuamos a "escalar a montanha", eu pego na toalha, limpo a testa e as mãos mesmo antes do próximo sprint. Ela volta à carga "Faster!". Como é que ela consegue gritar assim? Eu mal consigo respirar. Acabo a aula com uma espécie de atitude renovada. Fazemos os alongamentos mesmo em cima da bicicleta, respiro fundo e fecho os olhos, sinto os músculos do dobro do tamanho, o espírito aberto e capaz de mais uma meia hora infernal.
quarta-feira, 1 de abril de 2015
1 de Abril
Há precisamente dois anos aterrávamos em Gatwick e sentíamos o frio do final de um Inverno que tinha sido particularmente severo. Antes, a caminho do aeroporto com os meus pais vi a chuva mais intensa de que me lembro. Pensava que não ia ser capaz, aquele nó na garganta quase fechada, e chovia tanto, eu nem queria acreditar na intensidade daquela chuva, parecia que tudo conspirava contra mim. Do terminal enviei mensagem a dizer que estava bem, à espera do avião num dos extremos do aeroporto e o sol começou a brilhar mesmo antes de embarcar. Escrevo também para não me esquecer daquele dia que parece ainda que foi ontem. Parámos na Victoria Station para uma refeição de fast sushi e analisámos o mapa do metro. Há precisamente dois anos, arrastávamos as rodinhas das malas pelas ruas de Leamington pela primeira vez. Saímos do comboio a sorrir, devemos ter ido a viagem toda a sorrir. Eu, lembro-me, abismada com a quantidade de trampolins que se viam nos quintais. Perguntámos onde fica o hotel a alguém que não fazia ideia que, naquele instante, a nossa vida mudava. Fizemos o percurso que entretanto já repetimos centenas de vezes. Vimos alguns flocos de neve da janela do quarto de hotel que dava para o parque e ligámos as legendas na televisão. Naqueles dias de hotel, jantámos quase sempre no mesmo pub, alcatifado, quente. Lembro-me dos novos cheiros, do frio, de auscultar todos os dias a saudade e o meu bem-estar. Lembro-me da surpresa, afinal até está a correr bem. Mudou a nossa vida, mudámos nós, tanto, mas tanto. Mudou tudo à nossa volta. Foi há precisamente dois anos.
terça-feira, 24 de março de 2015
segunda-feira, 23 de março de 2015
Questões existenciais
Pergunta a filosofia: Se uma árvore cair na floresta e ninguém ouvir, será que faz barulho na mesma? Pergunto eu: Se formos jantar fora ou de férias e não pusermos fotos no facebook, será que aconteceu mesmo?
quinta-feira, 19 de março de 2015
Os eternos insatisfeitos
Dizem que a eterna instatisfação nos faz evoluir. Não tenho a certeza, gostava de estar mais satisfeita, pelo menos por breves momentos. Passou-me isto pela cabeça depois de uma corrida particularmente frustrante, em que não fiz mais de 8kms e de uma lembrança fugaz de uma mensagem triunfante enviada ao A., há anos, a anunciar que tinha conseguido correr 3kms. Ao som da minha respiração, que nunca tinha ouvido enquanto corro, e que ouvi hoje graças à decrépita bateria do meu não menos decrépito mp3, refleti sobre isto, sobre sermos eternos insatisfeitos. Ao som das minhas passadas das 6 da manhã, recusei um desafio para correr uma meia maratona em outubro e encolhi-me no conforto da inscrição nos 10kms. Desdobrei-me em esforços para justificar esta minha cobardia, que me arrancará, não para sempre, espero, o triunfo de cortar a meta dos 21kms com uma amiga. Talvez 10 kms seja mesmo para meninos e talvez eu seja isso, uma menina. E da pequenez desta meninice, surge, com uma cruel clareza, a certeza de que pior do que sermos eternos insatisfeitos é nada conseguirmos fazer para o mudar.
quarta-feira, 18 de março de 2015
Posts em draft desde o Natal
Todos sentados de acordo com a idade: dos pequeninos da nursery, até aos mais velhos do Year 6. A escola toda no salão, pernas à chinês, de uniforme aprumado, compenetrados: era a música favorita de todos. A introdução no piano da "Love shone down" antecipa um mar de vozes, pequeninas e grandes, com a letra na ponta da língua. Naquele minuto, aquela música também passou a ser a minha favorita.
De repente, podia ser Natal outra vez e eu não me importava.
De repente, podia ser Natal outra vez e eu não me importava.
quinta-feira, 12 de março de 2015
O The Independet, hoje, a citar Nigel Farage:
“I would argue that the law does need changing, and that if an employer wishes to choose, or you can use the word ‘discriminate’ if you want to, but wishes to choose to employ a British-born person, they should be allowed to do so,” he said. “I think you should be able to choose on the basis of nationality, yes. I do.” Asked specifically if Ukip would retain laws against discrimination on the grounds of race or colour, he replied: “No, because … we as a party are colour-blind.”
Este Nigel Farage é uma panela de pressão prestes a explodir. Ele simplesmente não consegue disfarçar o que nem sequer é disfarçável: o tipo é um racista, é-lhe intrínseco. Ofereçam-lhe mais dois pints, ou umas belas copaças de vinho a ver se ele se deixa de eufemismos e admite finalmente aquilo que é. Depois perguntem-lhe o que era o país dele caso só tivesse British-born workers.
“I would argue that the law does need changing, and that if an employer wishes to choose, or you can use the word ‘discriminate’ if you want to, but wishes to choose to employ a British-born person, they should be allowed to do so,” he said. “I think you should be able to choose on the basis of nationality, yes. I do.” Asked specifically if Ukip would retain laws against discrimination on the grounds of race or colour, he replied: “No, because … we as a party are colour-blind.”
Este Nigel Farage é uma panela de pressão prestes a explodir. Ele simplesmente não consegue disfarçar o que nem sequer é disfarçável: o tipo é um racista, é-lhe intrínseco. Ofereçam-lhe mais dois pints, ou umas belas copaças de vinho a ver se ele se deixa de eufemismos e admite finalmente aquilo que é. Depois perguntem-lhe o que era o país dele caso só tivesse British-born workers.
terça-feira, 10 de março de 2015
Britishness
Em manhã de gelo, vestir o casaco Barbour e a boina verde tropa e sair para passear o Galgo. Não sem antes o equipar com pantufas próprias para canídeos e uma proteção impermeável no lombo, não vá o bicho ficar cheio de geada.
segunda-feira, 9 de março de 2015
Serão os sonhos uma metáfora da vida?
Sonhei com mapas. Havia mapas por todo o lado, mapas de várias espécies, desdobráveis, não desdobráveis, digitais e em papel. Eu abria-os a todos, não sei à procura de quê.
sábado, 7 de março de 2015
"One aspect that I have gained from running
in the past 22 years that has most pleased me is that
it has helped me develop respect about my own physical being."
Haruki Murakami, em entrevista à Runner's World
Sábado de sol, vento e o joelho aparentemente curado. Saí de casa para correr na rua, que alegria poder trocar a passadeira e o ar viciado do ginásio por ar fresco e sol a bater na cara. Mente limpa, energia renovada e endorfinas aos quilos, era mesmo disto que estava a precisar. E finalmente poder dar o devido uso às minhas (ainda) novas Mizuno, prenda de aniversário do ano passado. Que alegria voltar a correr pela cidade, ir a sítios onde só vou quando corro, redescobrir um álbum antigo dos Skunk Anansie e perceber que nunca me tinha passado pela cabeça como é bom para correr. Há um blog que sigo chamado Corro, logo existo. É isso, corro, logo existo.
quinta-feira, 5 de março de 2015
Com o passar do tempo, a espontaneidade envolvida nisto de escrever num blog vai aumentando e deixa-se para trás uma certa artificialidade do início. Mesmo antes de escrevermos o primeiro post, somos obrigados a dar um nome ao blog, logo ali a frio e mesmo sem saber muito bem para que é que criámos o blog. E The Cellar Door era uma expressão cuja sonoridade eu sabia ter sido considerada a mais bonita da língua inglesa. Reza a wikipédia: " (...) the English compound noun cellar door has been cited variously as an example of a word or phrase which is beautiful purely in terms of its sound (...) It has been variously presented either as merely one beautiful instance of many, or as the most beautiful in the English language." Pois bem, lá bonita é, mas fui-me apercebendo que pouco ou nada tem a ver com aquilo em que o blog se foi transformando, coisa que, como é natural, eu não sabia no início. Depois, comecei a questionar o porquê de ter um blog com um nome inglês quando todos os posts, sem exceção, são escritos em português. Por estas e por outras, decidi mudar-lhe o nome. E assim decidirei sempre que achar que o título deixou de ser adequado ao conteúdo que para aqui vou escrevendo. Posto isto, bem-vindos à Gazeta Inglesa. Façam bom proveito.
quarta-feira, 4 de março de 2015
Não é bem...
Ainda bem que ontem me perguntaram se Portugal fica na América do Norte. Só para quebrar um bocado o tédio da rotina diária. Portugal não fica na Améria do Norte e, espante-se, também não está sempre sol. E em algumas zonas neva. E há vida para além do Algarve. Uou.
terça-feira, 3 de março de 2015
Das compras online
Aparentemente, também responde pelo nome de shoe rack. Mas eu queria uma sapateira. Para guardar sapatos. Não um sapato. Para guardar vinho.
sábado, 28 de fevereiro de 2015
Casa de emigrante é assim
Se um de nós não estiver na sala, grita-se lá para dentro "Olha o Mourinho!". Podemos não ligar nada a futebol, mas quando o Mourinho fala na televisão, aumenta-se o som e ouve-se com atenção.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015
Não é de chocolates Regina em forma de guarda-chuva que nós sentimos falta
É tudo muito bonito, mas não é dos chocolates Regina em forma de guarda-chuva que eu sinto falta. Na verdade, não me lembro de os comer em Portugal. Também não é dos Floco de Neve, nem de queijadas de Sintra. É tudo muito bonito, mas essas empresas que levam produtos portugueses a casa dos emigrantes não me convencem. O que me espantava era aparecer alguma empresa que me pusesse grelos frescos à porta. Ou um bom naco de vitela. Ou fanecas. Ou cebolas, daquelas grandes para a sopa.
Não foi uma escolha inteligente
Ver no youtube a confissão feita em 2005 por um serial killer americano. O vídeo dura uns 45 minutos. O tipo relata em tribunal os 10 crimes que cometeu, com pormenores sórdidos e aquela frieza psicopata.
São seis e meia e nunca mais amanhece.
São seis e meia e nunca mais amanhece.
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015
Cenas do quotidiano: Santa inocência
Hoje, numa escola primária, falava com uma criança sobre irmãos mais velhos, irmãos mais novos e idades. Falei-lhe dos meus irmãos e ela pergunta por mim:
Ela: - E tu, que idade tens?
Eu: - Diz lá que idade é que achas que eu tenho.
Ela: - Dezasseis?
Ela: - E tu, que idade tens?
Eu: - Diz lá que idade é que achas que eu tenho.
Ela: - Dezasseis?
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015
Às vezes tenho pena de mim
O A. vai beber um pint com os amigos lá do trabalho e eu venho para casa estourar bolhinhas do papel que estava a embrulhar os frascos La Parfait que comprei na Amazon. A seguir vou comparar os frascos com os que já tenho e ver se cabe um quilo de arroz, que era o que eu queria. A seguir vou preparar o jantar. Quando é que as minhas sextas à noite passaram a ser isto?
De volta às corridas
Já não aguento aquela elítica infernal, e o remo, o remo ainda é pior. É que eu tenho esta teima, quando começo a remar, faz-me confusão ficar sincronizada com a pessoa que está ao lado. E entro ali numa espécie de competição, tento ser mais rápida, para variar o ritmo e deixar de estar sincronizada. Faz-me confusão, sei lá. Até opto por fazer aquilo em intervalos, que é para parar uns segundos, porque custa-me estar ali tempos infinitos, a remar ao lado de alguém que está a remar ao mesmo ritmo do que eu. Agora despachei a consulta de fisioterapia. Afinal o mal estava na anca. O joelho só estava mal porque tenta compensar essa irregularidade. Vim com exercícios para casa e outra consulta marcada para ver evolução. Posso correr desde que não sinta dor. Estava a ver que não!
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015
Um dia, comecei a sentir falta disto: Ir ao supermercado e pedir ao talhante para partir um frango
Aqui os talhantes são peixeiros e os peixeiros também são talhantes. A característica que os une é que nem um nem outro percebem nada de nada do que estão para ali a fazer. Uma vez pedi que me arranjassem umas lulas e que, se fizessem o favor, mas partissem em anéis. Foi o fim da picada. O homem foi chamar reforços, pediu que fosse fazer as minhas compras e que voltasse aí passados uns 10 minutos. If you don't mind, pediu-me encarecidamente o homem, que já suava, perante a perspetiva de cortar umas lulas. Lembrei-me com nostalgia daquela senhora do Pingo Doce, uma verdadeira sushi woman, que preparava, num abrir e fechar de olhos, filetes de peixe espada. Aqui não há peixe espada, quanto mais a senhora do Pingo Doce. Aqui não se amanha o pouco peixe que há, não se cortam costeletas nem se pica carne, ja está tudo tratado e embalado. E quando se quer um frango partido, há que comprá-lo inteiro e tratar-lhe da saúde em casa, pelas próprias mãos, mesmo que com o auxílio de um ou dois vídeos do Youtube. Não é pior do que em Portugal, é simplesmente assim, são hábitos. Mas é por isso que depois se espantam quando vão ao mercado de Aljezur comprar peixe.
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Não David, não são fish fingers...
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Everybody's fine, menos eu, depois de ver este filme
Este Everyody's fine é um filmão. Fala de um pai, recentemente viúvo, e do seu esforço por juntar os 4 filhos, ocupados nas suas vidas, a viver longe, etc e tal. Para aí desde o ET que não chorava a ver um filme. E não estou a falar de uma lágrima ao canto do olho. Estou a falar de lágrimas a rolar, cara enfiada na manta sem saber onde me meter.
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
Uma espécie de dieta
Não me alongarei sobre esta minha espécie de dieta, que isto são coisas do foro íntimo, não são conversas para se ter aqui. Direi apenas que, desde que a iniciei, o pão que compramos no dia a dia tem ficado inteiro para o dia seguinte e a manteiga a apodrecer no frigorífico. Foi preciso isto para me aperceber: Nesta casa há um alarve, um e só um, que comia quantidades industriais de torradas a pingar manteiga. E isto é só um exemplo. Desconfio até que esta minha espécie de dieta terá impacto no orçamento deste agregado, que gastará menos do seu saldo mensal em pão, em arroz, em manteiga e em Twixs. Porque este alarve converteu-se aos ovos escalfados, ao couscous, ao chá verde e ao five a day (ou seven, parece que agora já não é five).
Ainda bem, por outro lado, que não há nada que faça vacilar esta espécie de dieta. Ainda bem que tolero de forma exemplar a fome e que isso não me provoca instabilidades de humor e afins. O A. que comprove. Ainda bem que não me apeteceu atacar a senhora à minha frente na fila do Tesco para lhe roubar o pão tigre. Ainda bem que o A. não faz anos por estes dias e que não reservámos mesa no italiano. Ainda bem, sobretudo, que não vou escolher imediatamente o risotto com queijo de cabra e a panna cotta de baunilha para a sobremesa.
Ainda bem, por outro lado, que não há nada que faça vacilar esta espécie de dieta. Ainda bem que tolero de forma exemplar a fome e que isso não me provoca instabilidades de humor e afins. O A. que comprove. Ainda bem que não me apeteceu atacar a senhora à minha frente na fila do Tesco para lhe roubar o pão tigre. Ainda bem que o A. não faz anos por estes dias e que não reservámos mesa no italiano. Ainda bem, sobretudo, que não vou escolher imediatamente o risotto com queijo de cabra e a panna cotta de baunilha para a sobremesa.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015
Notícias de cá
Há três dias que está assim: não há vento, não há sol, não há chuva, só uma eterna nuvem, que estacionou em cima de nós. Lá fora, tudo completamente inerte, não mexe uma folha no chão, já não há gelo de manhã. Ficou esta penumbra, que nos obriga a ligar as luzes durante o dia, sem saber muito bem se já amanheceu. Os senhores e as senhoras da meteorologia já não sabem o que hão de dizer, parece algo do Saramago: A partir daquele dia, nunca mais choveu, nem fez sol. Ficou assim.
sábado, 7 de fevereiro de 2015
Cenas do quotidiano
Ir com o A. ao ginásio:
- "Sabias que a energia que estás a produzir nessa máquina era suficiente para manter a luz da sala lá de casa ligada?"
Uma pessoa até fica mais motivada.
- "Sabias que a energia que estás a produzir nessa máquina era suficiente para manter a luz da sala lá de casa ligada?"
Uma pessoa até fica mais motivada.
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015
quarta-feira, 28 de janeiro de 2015
Scotland, finally we meet.
Visitámos Stirling e Saint Andrews. Stirling não marcou, mas a St Andrews quero voltar um dia. Foi lá que conheci a sensação de pisar areia da praia congelada. Uma vila encantadora e posh q.b., o William e a Kate não foram nada burros em irem para lá estudar.
Estava tanto frio, que às 5 da tarde já estava tudo enfiado no pub. Nós inclusive. Nada como um belo sausage and mash à lareira quando já não se sente a cara. Não me aventurei a provar Haggis, esse ícone da cozinha escocesa, mas fui a uma prova de whiskies (Não obstante os esforços do guia para descrever os diferentes sabores de acordo com a região onde o whisky é produzido, e apesar do desespero que isso provoca no A., a mim sabe-me tudo ao mesmo, não há volta a dar).
Vamos votlar, com certeza, e por mais tempo. Ficaram por ver as Highlands, Inverness, Aberdeen e até mais para Norte. A julgar pela beleza de Edimburgo e de tudo que vimos, o resto promete.
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