segunda-feira, 22 de junho de 2015

Ultimamente, correr é como sair acompanhada de um menino mimado e caprichoso que faz birras quando quer e que explode se não o levo para casa assim que se cansa do passeio. Disse-me a ortopedista que a culpa é da anca, mas eu acho que não se deve pôr assim a culpa nos outros. A culpa é dele, da enorme criatividade que tem para desenvolver queixumes de toda a espécie, por dá-cá-aquela-palha. Eu falo-lhe de mansinho, abrando o ritmo, que talvez esteja apenas a passar por uma fase mais sensível, mas fases não costumam durar tanto. Isto deve ser traço de personalidade, um joelho difícil de nascença, um caso perdido que só está feliz entregue à preguiça.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Posso estar nisto para sempre

Tropecei num livro em grande destaque, muito falado, de uma Paula Hawkins, chamado A Girl on the train. Embora saiba que os números de vendas de livros nem sempre são diretamente proporcionais à qualidade dos mesmos, decidi trazê-lo comigo. Andava desleixada nas minhas leituras e sei que é importante ter sempre um bom livro de cabeceira, ideia que tenho como certa desde a era de Uma Aventura, Arrepios, Triângulo Jota e Adrian Mole.
Agravelmente impressionada depois de ter lido o livro, fui pesquisar sobre a autora. Numa entrevista, ela refere que muita da inspiração para escrever este A girl on the train veio de Agatha Christie e em particular de um livro chamado And then there were none (Convite para a morte, na versão portuguesa). Tendo crescido com uma mãe fã de Agatha Christie, nunca me ocorreu pegar num dos muitos livros dela que andam lá por casa dos meus pais. Pensei que tinha chegado a altura e já que And then there were none é o policial mais lido de todos os tempos, não sobraram grandes dúvidas quanto à minha próxima leitura. Comprei o paperback mais barato que encontrei na Amazon e li-o em dois ou três dias. Ainda na ressaca de todos aqueles crimes e com o epílogo ainda a pairar na minha cabeça, descobri neste blog (também emigrado) a referência a outro bom policial de um autor norueguês que tinha como principal inspiração precisamente Agatha Christie. Trouxe-o com algum pó, de uma prateleira escondida da secção de crime da livraria aqui da terra. The Human Flies (Crime num quarto fechado), de Hans Olav Lahlum promete já nas primeiras páginas.







quinta-feira, 11 de junho de 2015

Corridas matinais

Pagava para poder ver as imagens de CCTV da dancinha que fiz no momento em que, à saída do parque, quase era mordida nas canelas por uma espécie de caniche gigante.

Esta cidade em que ser "polite" é a regra e não a exceção

Páro no passeio porque há uma carrinha destas das obras a recuar e a tentar entrar na estrada, com a ajuda de um parceiro a dar indicações do lado de fora. De repente, ele berra para o condutor: "HOLD ON, MATE!!! HOLD ON, MATE!!" para a seguir me dar indicação de passagem com a mão: "After you". Assim, sim.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Já não se vende disso?

Varro a secção da fruta com o olhar e analiso a seleção de uvas. Apanham-me de assalto memórias de tardes quentes na aldeia do meu pai, essa terra de penedos das bruxas e uva moscatel. Os cachos, muitas vezes colhidos por nós, davam-nos bagos doces e quentes que comíamos enquanto víamos os tratores passar. Eu, os meus irmãos, os meus primos. Eram essas uvas que eu queria hoje. Não eram estas, verde pálido, que anunciam na embalagem a ausência de grainhas. Eu queria uvas moscatel. Ou podiam até nem ser moscatel, desde que tivessem grainha.