sábado, 28 de fevereiro de 2015

Casa de emigrante é assim

Se um de nós não estiver na sala, grita-se lá para dentro "Olha o Mourinho!". Podemos não ligar nada a futebol, mas quando o Mourinho fala na televisão, aumenta-se o som e ouve-se com atenção.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Não é de chocolates Regina em forma de guarda-chuva que nós sentimos falta

É tudo muito bonito, mas não é dos chocolates Regina em forma de guarda-chuva que eu sinto falta. Na verdade, não me lembro de os comer em Portugal. Também não é dos Floco de Neve, nem de queijadas de Sintra. É tudo muito bonito, mas essas empresas que levam produtos portugueses a casa dos emigrantes não me convencem. O que me espantava era aparecer alguma empresa que me pusesse grelos frescos à porta. Ou um bom naco de vitela. Ou fanecas. Ou cebolas, daquelas grandes para a sopa.

Não foi uma escolha inteligente

Ver no youtube a confissão feita em 2005 por um serial killer americano. O vídeo dura uns 45 minutos. O tipo relata em tribunal os 10 crimes que cometeu, com pormenores sórdidos e aquela frieza psicopata.

São seis e meia e nunca mais amanhece.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Cenas do quotidiano: Santa inocência

Hoje, numa escola primária, falava com uma criança sobre irmãos mais velhos, irmãos mais novos e idades. Falei-lhe dos meus irmãos e ela pergunta por mim:

Ela: - E tu, que idade tens?

Eu: - Diz lá que idade é que achas que eu tenho.

Ela: - Dezasseis?

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Às vezes tenho pena de mim

O A. vai beber um pint com os amigos lá do trabalho e eu venho para casa estourar bolhinhas do papel que estava a embrulhar os frascos La Parfait que comprei na Amazon. A seguir vou comparar os frascos com os que já tenho e ver se cabe um quilo de arroz, que era o que eu queria. A seguir vou preparar o jantar. Quando é que as minhas sextas à noite passaram a ser isto?

De volta às corridas

Já não aguento aquela elítica infernal, e o remo, o remo ainda é pior. É que eu tenho esta teima, quando começo a remar, faz-me confusão ficar sincronizada com a pessoa que está ao lado. E entro ali numa espécie de competição, tento ser mais rápida, para variar o ritmo e deixar de estar sincronizada. Faz-me confusão, sei lá. Até opto por fazer aquilo em intervalos, que é para parar uns segundos, porque custa-me estar ali tempos infinitos, a remar ao lado de alguém que está a remar ao mesmo ritmo do que eu. Agora despachei a consulta de fisioterapia. Afinal o mal estava na anca. O joelho só estava mal porque tenta compensar essa irregularidade. Vim com exercícios para casa e outra consulta marcada para ver evolução. Posso correr desde que não sinta dor. Estava a ver que não!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Um dia, comecei a sentir falta disto: Ir ao supermercado e pedir ao talhante para partir um frango

Aqui os talhantes são peixeiros e os peixeiros também são talhantes. A característica que os une é que nem um nem outro percebem nada de nada do que estão para ali a fazer. Uma vez pedi que me arranjassem umas lulas e que, se fizessem o favor, mas partissem em anéis. Foi o fim da picada. O homem foi chamar reforços, pediu que fosse fazer as minhas compras e que voltasse aí passados uns 10 minutos. If you don't mind, pediu-me encarecidamente o homem, que já suava, perante a perspetiva de cortar umas lulas. Lembrei-me com nostalgia daquela senhora do Pingo Doce, uma verdadeira sushi woman, que preparava, num abrir e fechar de olhos, filetes de peixe espada. Aqui não há peixe espada, quanto mais a senhora do Pingo Doce. Aqui não se amanha o pouco peixe que há, não se cortam costeletas nem se pica carne, ja está tudo tratado e embalado. E quando se quer um frango partido, há que comprá-lo inteiro e tratar-lhe da saúde em casa, pelas próprias mãos, mesmo que com o auxílio de um ou dois vídeos do Youtube. Não é pior do que em Portugal, é simplesmente assim, são hábitos. Mas é por isso que depois se espantam quando vão ao mercado de Aljezur comprar peixe.



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Não David, não são fish fingers...

Everybody's fine, menos eu, depois de ver este filme

Este Everyody's fine é um filmão. Fala de um pai, recentemente viúvo, e do seu esforço por juntar os 4 filhos, ocupados nas suas vidas, a viver longe, etc e tal. Para aí desde o ET que não chorava a ver um filme. E não estou a falar de uma lágrima ao canto do olho. Estou a falar de lágrimas a rolar, cara enfiada na manta sem saber onde me meter.





sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Uma espécie de dieta

Não me alongarei sobre esta minha espécie de dieta, que isto são coisas do foro íntimo, não são conversas para se ter aqui. Direi apenas que, desde que a iniciei, o pão que compramos no dia a dia tem ficado inteiro para o dia seguinte e a manteiga a apodrecer no frigorífico. Foi preciso isto para me aperceber: Nesta casa há um alarve, um e só um, que comia quantidades industriais de torradas a pingar manteiga. E isto é só um exemplo. Desconfio até que esta minha espécie de dieta terá impacto no orçamento deste agregado, que gastará menos do seu saldo mensal em pão, em arroz, em manteiga e em Twixs. Porque este alarve converteu-se aos ovos escalfados, ao couscous, ao chá verde e ao five a day (ou seven, parece que agora já não é five).
Ainda bem, por outro lado, que não há nada que faça vacilar esta espécie de dieta. Ainda bem que tolero de forma exemplar a fome e que isso não me provoca instabilidades de humor e afins. O A. que comprove. Ainda bem que não me apeteceu atacar a senhora à minha frente na fila do Tesco para lhe roubar o pão tigre. Ainda bem que o A. não faz anos por estes dias e que não reservámos mesa no italiano. Ainda bem, sobretudo, que não vou escolher imediatamente o risotto com queijo de cabra e a panna cotta de baunilha para a sobremesa.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Notícias de cá

Há três dias que está assim: não há vento, não há sol, não há chuva, só uma eterna nuvem, que estacionou em cima de nós. Lá fora, tudo completamente inerte, não mexe uma folha no chão, já não há gelo de manhã. Ficou esta penumbra, que nos obriga a ligar as luzes durante o dia, sem saber muito bem se já amanheceu. Os senhores e as senhoras da meteorologia já não sabem o que hão de dizer, parece algo do Saramago: A partir daquele dia, nunca mais choveu, nem fez sol. Ficou assim.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Cenas do quotidiano

Ir com o A. ao ginásio:

- "Sabias que a energia que estás a produzir nessa máquina era suficiente para manter a luz da sala lá de casa ligada?"

Uma pessoa até fica mais motivada.