terça-feira, 29 de julho de 2014

Emigração sem dramas, por favor.

Já não consigo ler textos lamechas sobre emigração. Porque o emigrante é o herói, esse jovem sem emprego, coitadinho, é que foi o corajoso e não essa cambada de medricas que ficou em Portugal. O jovem licenciado, que abandona a pátria que há muito o havia abandonado. A pátria que o expulsou. E ele, pequenino mas valente, lá se lançou à conquista desse mundo e de uma vida melhor, sujeito a abusos, a dificuldades. Já se sabe que infelizmente isto não deixa muitas vezes de ser verdade, mas poupem-me. Poupem-me principalmente os emigrantes que, sem motivos para tal, vestem esta pele todos os dias e enchem o meu mural do facebook de queixumes e citações. Eles decidiram assim: os heróis são eles.

Por essas e por outras é que me soube tão bem ler este texto no P3, que, sem dizer nada de especial, descomplica a coisa e funciona como uma lufada de ar fresco. Esta coisa da emigração é, acima de tudo, um bocado chata.




Eu no A&E

Ir parar à urgência do hospital por bater com o dedo mindinho do pé na esquina do sofá. Comigo é assim. Não faço a coisa por menos.
Sempre achei que tenho um problema qualquer de orientação espacial, principalmente no que toca a passar entre a porta e a parede e a contornar uma cama ou um sofá. Perdi a conta às vezes em que em vez de passar pela porta como uma pessoa normal dou com o ombro na parede, ou a fazer a cama, bato com as canelas em todo o que é mobília. O dedo mindinho do pé, como é do conhecimento de todos, é sempre o que dói mais e também já não sei quantas vezes me agarrei a ele depois de uma pancada, a morder o lábio para não saírem mais palavrões. Sim, que isto de dizer palavrões, mesmo para quem não o tem por hábito, é um tratamento eficaz para a dor. Principalmente, e como toda a gente sabe, a do dedo mindinho.
Ontem, depois do aperto inicial da dor, a coisa não passou e não conseguia sequer pousar o pé no chão. A pancada tinha sido mesmo forte e o habitual seria doer, mas passar. A velha máxima "Incha, desincha e passa" não se verificou. Um bocado contrariada, lá liguei para o 111, o número para as emergências menos graves, uma espécie de Saúde 24. Depois de assegurar que a pancada com o pé não tinha feito parte de nenhuma tentativa de suicídio e de assegurar também que compreendia que a senhora tinha de me fazer essa e outras perguntas, fui aconselhada a ir ao A&E, que é como quem diz Accident and Emergency ou, em bom português, Serviço de Urgência.
Para meu sossego, grande parte das pessoas na sala de espera sofria aparentemente de maleitas tão insignificantes como a minha. O médico atendeu-me a despachar, com cara de quem nesse dia já tinha visto dezenas de pés magoados e acredito bem que sim. Esta gente foi mais feita para andar de galochas e este calor tem obrigado tudo a andar de chinelos, com o pé ao léu, mesmo à mercê de qualquer esquina. Apalpou o pé, sentiu o inchaço, disse que ia assumir que estava partido, não ia cá perder tempo com raio X.  Disse que só avançaria para um exame mais a fundo se eu tivesse o dedo a apontar para um dos lados. Muito bem, senhor doutor, fico feliz que assim não seja. Imobilizou-me o dedo, juntinho ao outro, e disse que o tempo de recuperação ia depender do tipo de lesão, com o máximo de 6 semanas, caso estivesse mesmo partido. Muito pé ao alto, paracetamol ou algo que o valha e a coisa vai ao sítio. E foi assim a minha primeira (e única, espero eu) ida ao serviço de urgência inglês: um dedo mindinho do pé meio partido. Se vierem mais, que sejam todas por isso.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

No Verão passado

Foi no Verão passado com a boca cheia de croquetes que o vi passar lá em baixo. Eu no restaurante, ele mão no bolso a caminho do concerto. Só por causa de uns croquetes, demasiado bons, da falta de jeito para dizer alguma coisa, da ausência de um CD que pudesse autografar, ali fiquei. Faltou-me o impulso para lhe dar os parabéns, dizer que sei as letras todas de trás para a frente, que continue assim, que vai muito bem. Porque estas coisas devem dizer-se, assim de chofre, sem pensar muito. Agora é a única coisa que ouço no carro, o mesmo CD há meses, à espera da próxima oportunidade de o ver. 


António Zambujo


segunda-feira, 21 de julho de 2014

Bifes mal passados

Apanhei ontem por acaso um programa numa televisão inglesa apresentado por um físico português de renome chamado João Mangueijo. Nunca tinha ouvido falar nele, mas achei interessantíssimo que, sendo português, estivesse assim de repente a apresentar um programa num canal inglês. Pelos vistos, é Professor de Física e "autor da teoria da Velocidade da luz variável que veio questionar a premissa mais básica por trás da Teoria da Relatividade de Einstein" (!!).
Hoje, por coincidência, descobri aqui que, para além de escrever sobre Física, decidiu escrever um livro sobre Inglaterra e os ingleses, visto que mora aqui há 25 anos. Neste livro, Bifes Mal passados, divaga sobre as características desta terra "horrorosa", como ele própio a descreve. Diz ele: "Às tantas uma pessoa dá completamente em doida - é o clima, a comida, a pessoas, as atitudes". Vou ter de comprar o livro só para perceber se vivemos, de facto, na mesma terra. 




domingo, 20 de julho de 2014

Food styling, parece que se diz assim.

Há qualquer coisa que me fascina nesta nova (ou já não tão nova assim) onda de blogs, instagrams e pinterests, dedicados a divulgar fotografias de comida. Food styling, parece que se diz assim. Eu própria sempre gostei de fotografar os meus pratos, o que já me valeu um telemóvel mergulhado numa lasanha de carne acabada de sair do forno. Sempre fotografei para meu próprio gozo, nem sei muito bem porquê. No meu telemóvel as fotos giram à volta das massas com camarão, do empadão, da alheira com ovo a cavalo ou do bacalhau assado. Manias. Mas isto dos blogs de comida, tem muito mais que se lhe diga. Não é qualquer amador que usa a linha básica de pratos do IKEA que se transforma num bom blogger de comida. Não. É preciso criar todo um ambiente, ter loiça vintage, talheres da avó, bagas vermelhas e sementes de toda a espécie. É preciso saber fazer panquecas, ter muita fruta fresca e suportes de torradas. E é mesmo assim que a coisa se torna viciante: porque os olhos, de facto, também comem. Eu sou fã. Desde que não me venham com os sumos detox, tudo bem.


sábado, 19 de julho de 2014

Coisas que se vendem e eu nunca tinha reparado

Marshmallows e bolachas para barrar. Faz-me pensar que gosto de marshmallows e gosto de bolachas, mas não me apetece barrar nenhum dos dois numa torrada...



Prestes a comprar, não vou aguentar muito mais passar todos os dias por isto no supermercado: Chocolate para o leite (ou para comer à colherada), mas com sabor a Maltesers. 


Também devo adquirir em breve: mistura de mostarda Dijon e maionese. Soa-me irresistível.




Depois da histeria na descoberta desta pequena maravilha, está aprovado por mim (várias vezes):


Nem que me pagassem: Refeição de cheeseburguer, pão de hamburguer e batatas fritas, tudo congelado, 3 em 1. 





sexta-feira, 18 de julho de 2014

William Hague, A Voz.


Politiquices à parte, este homem devia ter seguido uma carreira na rádio (ou ser narrador de programas da vida selvagem).





Oh não! Outro post sobre corrida...


Até há pouco mais de um ano, não ligava muito ao que calçava para dar a minha corrida na passadeira do ginásio. Desde que comecei a correr na rua, fui obrigada a tomar mais atenção a isso. De repente, com as sapatilhas que usava, parecia que estava a correr descalça, a coisa não amortecia e às vezes os dedos do pé eram empurrados para a ponta da sapatilha. Com o tempo, aquilo começou a incomodar. Os pés ressentiam-se no final, precisava decididamente de investir numas sapatilhas decentes. Tive várias, entre elas umas Nike Dual Fusion, que cumpriram as suas funções de forma exemplar, passaram por chuva, gelo, lama e terra, sempre fiéis. Não sei se é possível os pés ainda crescerem na minha idade, mas de repente começaram a parecer-me pequenas, só eram confortáveis com determinado tipo de meias. Adiei o tempo possível a compra de umas nova, mas os saldo chegaram e havia que aproveitar.


As tais Nike Dual Fusion nos seus tempos áureos, fotografadas por mim qual animal de estimação


Não pretendo andar para aqui a fazer reviews disto e daquilo, especialmente porque não sendo uma especialista em corrida, muito menos o sou no respetivo equipamento. Acontece que depois do post de ontem, apeteceu-me reservar umas palavras às Adidas Boost, das quais já há muito ouvia falar, mas que só agora comprei.




Apesar de não ter tido coragem de fazer sprints pela loja fora como outro cliente indeciso que por lá andava (para a próxima vai ter que ser!), as sapatilhas pareceram-me suficientemente confortáveis. Notei que tinham bastante amortecimento, que é uma coisa que me agrada. Para minha surpresa, e a propósito da conversa dos pés crescerem ou não nesta idade, tive que escolher um 39 em vez do habitual 38. A decisão não foi imediata porque tive medo de ficar com uns pés gigantes ou de começar a tropeçar neles, mas depois de pensar no Inverno e na possibilidade de usar umas meias mais grossas, resignei-me.
Já corri algumas vezes com elas e estão aprovadíssimas. Pode dizer-se que a sensação não é surpreendente, como seria provavelmente se comprasse umas Springblade, de que falei ontem, mas é bastante agradável. Gosto do facto de serem tão leves e acho que a cor vai ser útil nos dias escuros de Inverno (não é a única cor disponivel).











quarta-feira, 16 de julho de 2014

Springblade Drive Shoes

Outro dia navegava no site da Adidas em busca de umas novas sapatilhas, quando pus os olhos nisto:





Imediatamente me vieram imensas questões à cabeça, nomeadamente se estaria a ver bem ou se aquela sola seria o resultado de uma qualquer ilusão de ótica. Mas não, entretanto vi-as ao vivo e posso comprovar que existem mesmo. Chamam-se Springblade Drive Shoes e prometem desempenhos melhores do que as sapatilhas ditas normais. Aquela espécie de lâminas absorvem o impacto e criam uma propulsão melhorada.






Eles não dizem isso, mas pelo aspeto devem transformar o comum dos mortais em recordista mundial dos 100 metros. A 130 libras, limitei-me a pegar nelas na loja (para tocar nas lâminas e ver melhor com os meus próprios olhos), para logo depois me virar para o expositor dos saldos, que não tem Springblades, mas para o que é, serve. Foi lá que encontrei umas Adidas Boost, que já andava a namorar há que tempos e até agora não desiludiram. As Springblade ficam para quando me dedicar a tempo inteiro ao atletismo.