quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Scotland, finally we meet.




Finalmente conheci a Escócia! Mesmo aqui em cima, todos os dias na meteorologia - sempre assolada por ventos, chuvas e neve - e eu sem nunca lá ter ido. Decidimos ir de carro, 5 horas para lá, 5 horas para cá. Depois da viagem nos ter dado neve a partir do Lake District, assentámos arraiais para um fim de semana gelado em Edimburgo. Os dedos doeram-me dentro das luvas, a cara também.

Visitámos Stirling e Saint Andrews. Stirling não marcou, mas a St Andrews quero voltar um dia. Foi lá que conheci a sensação de pisar areia da praia congelada. Uma vila encantadora e posh q.b., o William e a Kate não foram nada burros em irem para lá estudar.

Estava tanto frio, que às 5 da tarde já estava tudo enfiado no pub. Nós inclusive. Nada como um belo sausage and mash à lareira quando já não se sente a cara. Não me aventurei a provar Haggis, esse ícone da cozinha escocesa, mas fui a uma prova de whiskies (Não obstante os esforços do guia para descrever os diferentes sabores de acordo com a região onde o whisky é produzido, e apesar do desespero que isso provoca no A., a mim sabe-me tudo ao mesmo, não há volta a dar).

Vamos votlar, com certeza, e por mais tempo. Ficaram por ver as Highlands, Inverness, Aberdeen e até mais para Norte. A julgar pela beleza de Edimburgo e de tudo que vimos, o resto promete.































































segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Cenas do quotidiano

Saio de casa para ir trabalhar, abro a porta da rua e murmuro insultos sei lá a quem. O carro está congelado e eu esqueci-me outra vez que isto ia acontecer. Consciente da tarefa que me aguarda e já preocupada com as horas, tento abrir a porta de trás para pousar a carteira. A porta de trás não abre. Consigo mexer o puxador, mas está tudo envolto num bloco de gelo. Tento do outro lado: o mesmo. Com dificuldade, abro a porta da frente e enfio tudo lá para dentro: carteira, casaco, tudo. Saco do raspador que encomendámos da Amazon. Mais valia termos estado quietos, é pequeno e o gelo raspado salta todo para as minhas mãos, que já estão vermelhas do frio, quase queimadas imagino eu. Onde raio estão as minhas luvas quando preciso realmente delas? Não vou procurar, o tempo está a passar e ainda tenho algum caminho pela frente. O raspador é mesmo inútil, raspa os primeiros milímetros de gelo, de uma camada valente. Isto assim não vai lá. Atiro o raspador lá para dentro e volto a casa. Com os dedos congelados quase faço disparar o alarme porque tenho dificuldade em coordenar os movimentos para digitar o código. Plano B: Encho uma jarra de água e despejo no vidro. Resultou assim-assim, metade do vidro ficou melhor, a outra metade continua congelada. Raspo os retrovisores e entro no carro: agora só falta desembaciar o vidro por dentro e toca a andar. Ligo o carro, a ventilação no máximo - agora é que acordei os vizinhos todos, se é que já não tinham acordado com o barulho do raspador - e pego na esponja para limpar o vidro. Apercebo-me com desespero que não é vapor, é gelo. Gelo dentro do carro, como é que isto foi acontecer? Nunca tinha visto nevar dentro de um carro: eu a raspar o gelo do interior do vidro e a ventilação no máximo a fazê-lo voar para todo o lado. Tenho gelo no cabelo, no volante, no casaco, na carteira. Uma alegria. Quando a coisa está mais ou menos limpa, ponho-me a caminho, a mexer estrategicamente a cabeça de forma a conseguir espreitar pelos intervalos limpos no vidro. As mãos molhadas, enregeladas, não ouço nada, a ventilação sempre no máximo, as escovas e a água do limpa vidros congeladas o caminho todo. Para completar o cenário, o vidro a pingar por dentro. Que deprimente. De repente começo a lembrar-me dos carros com vidros aquecidos, bancos aquecidos, volante aquecido. Dava tudo para nesta manhã tenebrosa ter um assim. Juro que nunca mais digo que isso são mariquices caprichos. Nunca mais.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Quando o médico põe em cima da mesa a possibilidade de uma artroscopia ao joelho.







Hoje almoço na cantina

Navegava eu no site da minha escola secundária enquanto o telefone tocava sem resposta do lado de lá. Mais um certificado de que preciso, mais uma tradução, mais dinheiro - Já sou emigrante há um ano e 9 meses e ainda não me habituei a isto. Será que é o Reino Unido que é mais ao contrário ou em todo lado é assim, esta constante de equivalências, sistemas diferentes para tudo e para nada? Mas dizia eu que navegava no site da escola, que tinha aberto para ver o número de telefone da secretaria. Enquanto abria aleatoriamente os conteúdos, salta-me à frente dos olhos a ementa da cantina para esta semana.




Não me querendo armar em João Magueijo dos "Bifes mal passados", mas falando com conhecimento de causa, no que toca a alimentação escolar, parece-me que Portugal está a anos luz de Inglaterra, para melhor. Note-se que eu nem sou uma emigrante dada a constantes queixumes por causa de privações gastronómicas: duas ou três coisitas da terra chegam para manter esta portuguesa feliz. Mesmo assim, salivei assim que vi isto. A emoção foi tão grande que até gritei a ementa lá para dentro, para o A.: "Diz lá que não ia uma saladinha de feijão frade com bolinhos de bacalhau!". E a pescada à Primavera, ou "pescada à Primabera", como diziam as senhoras lá da cantina. Aquele clássico. Primavera dava para tudo, "massa Primavera", "sopa Primavera", "arroz Primavera". E a eficácia da sobremesa: fruta variada, fruta variada, fruta variada e mais fruta variada. É mesmo assim, fruta variada e, vai uma aposta, da época. Em certas coisas, os tugas é que sabem. Vou ali comprar a senha. 

domingo, 4 de janeiro de 2015

De volta ao ginásio (e não, não é uma resolução de ano novo)

Depois dos shin splints aparentemente curados, eis que me aparece uma dor no joelho que não me permite correr mais do que uns míseros 2 ou 3 kms. Fui parando uma semana aqui e ali, tentando com jeitinho dar uma corrida só para ver se a coisa estava melhor, mas nada. Acho até que o caldo se entornou quando, para aliviar as ansiedades típicas da véspera de me enfiar mais uma vez num avião, fui correr mesmo assim, a forçar a perna. - Se calhar é só até aquecer bem. Insiste! - pensei eu - Isto é só até chegar aos 5 kms, depois a coisa vai ao sítio! - Resultado: a mancar até casa, a mancar pelo aeroporto fora e a mancar nos dois dias seguintes. Aliviada das ansiedades, mas manca da perna esquerda. Fair enough...

Graças a tudo isto, e depois de quase 2 anos, voltei hoje a entrar num ginásio. Hoje, domingo de nevoeiro cerrado, 1 grau negativo, carro coberto de gelo ao meio dia e ainda a acordar para o novo ano, lá fui eu com o A., iniciar o nosso périplo em busca de um ginásio. Uma das paragens foi num daqueles ginásios quase exclusivamente frequentado pelo tipo body builder. A experiência foi deveras interessante em parte pelo facto de o rapaz, culturista com certeza, nos atender enquanto saboreava um valente prato de arroz com frango. Come para a frente, homem! No final da visita ao espaço, ainda perguntei timidamente se teriam uma sala só para mulheres, como é hábito por aqui. Ia ficar intimidada se tivesse que desatar a fazer cardio ao lado daqueles marmanjos a correr de carapuço posto. Não tinham, mas em compensação as salas estavam divididas pelas partes do corpo a trabalhar. Tinham, por exemplo, uma Legs room, a Upper Body room, etc. Interessante, mas não, obrigada. Finalmente lá visitámos um que nos pareceu equilibrado. E tinha janelas (será mania dos ingleses criarem ginásios sem janelas?), que dá logo uma ar mais arejado à coisa.

Resignei-me, deixa lá ver se o joelho vai ao sítio, mas mal possa, estarei de volta ao alcatrão. Por agora, é trocar o ar fresco pelo ar condicionado, remar para lado nenhum, experimentar aulas de spinning e dessas coisas todas com nomes sonantes. Tudo menos zumba, prometo.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Um embaraço

Pois que este Natal, apesar de desconfiada, lá desembolsei 12€ para comprar esta obra tão badalada sobre os Bifes Mal Passados, de que já falei aqui. São páginas e páginas de insultos aos ingleses, com pitadas subtis de machismo aqui e ali, tudo envolto num tom snob muito mal disfarçado. Quer-me parecer que este João Mangueijo tem alguma coisa mal resolvida aqui por bandas britânicas. Vai de capítulo em capítulo a desancar nos ingleses, em Inglaterra, no tempo, nas pessoas, nos hábitos, em tudo. E isto depois de cá ter chegado de malas e bagagens há mais de 25 anos...  Diz ele que tem a esperança que o livro ainda faça arrancar gargalhadas aos ingleses. Quanto aos ingleses não sei, mas a mim arrancou-me um ligeiro embaraço e o desejo de que nenhuma tradução inglesa venha a caminho...