sexta-feira, 29 de maio de 2015

Levei todo o meu equipamento de corrida para esta semana em Portugal, mas viver nesta ilha sombria há dois anos está a fazer os seus estragos. Eu sabia que ia estar calor, mas já não me lembrava de correr com mais de 20 graus e até estranhei ver a minha sombra refletida no chão enquanto corria. A nova zona pedonal ao longo do rio foi uma ideia ótima, mas dada a falta de arvoredo, deve estar-se lá bem antes das 8 da manhã ou depois das 8 da noite. Dada a extensa lista de compromissos típica do emigrante que regressa à terra por 8 dias, não consegui ir tão cedo nem tão tarde, o que quer dizer que sofri com o sol a horas em que devia era estar refugiada numa qualquer sombra, a fazer nenhum. Com a cara besuntada de protetor solar, lá consegui cumprir os 10kms, mas a coisa foi tão dura que no dia seguinte fui correr para um ginásio, aproveitando a boleia do meu pai, que podia levar um convidado. A menina bem me tentou vender a mensalidade e eu não me enchi de coragem para lhe dizer que era emigrante, que não me ia inscrever em ginásio nenhum, que só ali tinha ido porque lá fora estava muito calor e ali a zona das passadeiras era climatizada. Shame on me.

"..."

Alguém lhes diga que fazer constantemente o gesto de aspas com os dedos não elucida nem mais nem menos acerca daquilo que estão a tentar dizer.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

É já para a semana

É um grau de felicidade tão grande que se torna inexplicável. Não no sentido de não ser possível explicar a sua origem, mas antes por ser difícil transpô-lo para palavras. Pouco mais de duas horas e meia de viagem servem para que haja em mim a maior amplitude de felicidade imaginável. Agora há só um caminho: ir em frente, continuar em frente, deixar o avião para trás e aquele sentimento miserável do aeroporto de cá. Caminhar seguindo as placas: Saída, primeiro em português, só depois em inglês. Varrer as caras anónimas que esperam os passageiros recém-chegados e encontrar o conforto dos meus pais, a minha mãe a acenar, os dois a sorrir. Eu sorrio, mas é uma contenção. Pudesse eu e dava piruetas de alegria ou trazia atrás de mim uma fanfarra.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Há uma primeira vez para tudo

Ontem fiz o meu primeiro squat. Eu nem sabia bem o que isso era, mas já ouvia falar há muito tempo. Com a ausência surpresa da professora de spinning, a aula foi substituída por uma sessão de pernas e abdominais, mas sem bicicleta. Hoje continuo sem me conseguir mexer muito, mas se googlarem squats, só aparecem imagens de rabos tonificados, por isso a coisa há de ser popular por algum motivo.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Isto é para lá de hipster.





Que nem dois macacos de imitação fomos a correr comprar uma máquina analógica assim que o meu irmão apareceu aqui com uma na Páscoa. Pesquisámos algum tempo e o assunto até estava mais ou menos adormecido até ao dia em que, ao regressar de uma breve visita a Cheltenham, decidimos entrar numa car boot sale às portas da cidade. Até nem íamos em busca da máquina em particular, estávamos só curiosos com um ajuntamento tão grande de carros e pessoas e decidimos espreitar. Estacionámos onde encontrámos lugar e lá fomos na enxurrada, até chegar à entrada improvisada, onde nos cobraram 20p, quantia mais do que modesta pelo que a feira prometia. O nome car boot sale é literal, a feira consiste numa quantidade enorme de carros estacionados, muitas vezes com a boot aberta, em que vendedores solitários ou acompanhados vendem o possível e o imaginário. Podem ir à car boot sale se precisarem de coisas tão variadas como papel higiénico, plantas para o pátio, legumes para o jantar, brinquedos para os miúdos, serviços de chá e todo o tipo de loiças, equipamento para a caça, peças para motores de motas e automóveis, e por aí adiante. Tudo ao preço da chuva. E nós para lá andávamos, embrenhados, de olhos postos em tudo o que nos aparecia à frente. Sem nada comprado, avistámos uma banca que vendia de tudo, incluido material fotográfico. Quando nos aproximámos vimos uma Praktica, que já tínhamos ponderado como possível compra durante a nossa investida na Internet em busca de máquinas analógicas. Depois de receber ordens da mãe, o pré-adolescente que parecia responsável pela venda, vem ter connosco e assegura-nos que a máquina funciona bem, só falta uma pilha. São 5 libras. Ficámos surpreendidos, mesmo que não funcione, por 5 libras, já cá canta. Trouxemo-la contentes, como quem traz uma relíquia ou um pedaço de história. De onde viria? A quem teria pertencido?

terça-feira, 12 de maio de 2015

O Pinterest tem sido bastante útil, nomeadamente a relembrar-me que antigamente as pessoas tinham muito mais estilo.


quarta-feira, 6 de maio de 2015

Nunca pensei que trabalhar com crianças fosse tão surpreendente. É incrivel a quantidade de vezes que me fazem rir. Outro dia, uma criança de 3 anos vem ter comigo e pergunta: "Are you an adult?"

Temo que sim, pequeno ser... Temo que sim. 

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Do jornalismo espetacular



Pilates will kill ya

Dissemos "bom dia" ao entrar na sala e ninguém respondeu. Agora olhando para trás, desconfio que já estava tudo em modo meditação. Esticámos os tapetes e ali ficámos, de meias, à espera do próximo passo. O professor reconhece as caras novas e vem ter connosco, diz-nos que aquela é uma aula puramente verbal: Ele debita e nós fazemos. Sorte a minha, não sei nada sobre Pilates e agora vou ter de interpretar tudo o que ele vai dizendo, sem direito a demonstração. Ao observar a sala, desconfio que os meus colegas já são veteranos e, como novata prestes a experimentar uma aula de Pilates puramente verbal, sinto uma mistura de pânico contido com o típico sentimento de quem nunca experimentou mas se acha francamente superior a esta espécie de conjunto de alongamentos zen a meia luz. Tento acompanhar a conversa do professor, mas não conheço nenhuma das posições de que fala. Vou tentanto copiar o que meus companheiros estão a fazer e fico surpreendida com a dificuldade dos movimentos e com a força envolvida. Afinal isto parece que tem a ver com tonificação e aumento da força de alguns músculos. Acabo a aula e o professor vem ver que tal: digo-lhe que achei mais difícil do que imaginava e ele faz aquele ar de quem está habituado a pessoas que acham que Pilates é para meninos, mas depois descobrem que afinal não é nada.