quinta-feira, 4 de junho de 2015
Já não se vende disso?
Varro a secção da fruta com o olhar e analiso a seleção de uvas. Apanham-me de assalto memórias de tardes quentes na aldeia do meu pai, essa terra de penedos das bruxas e uva moscatel. Os cachos, muitas vezes colhidos por nós, davam-nos bagos doces e quentes que comíamos enquanto víamos os tratores passar. Eu, os meus irmãos, os meus primos. Eram essas uvas que eu queria hoje. Não eram estas, verde pálido, que anunciam na embalagem a ausência de grainhas. Eu queria uvas moscatel. Ou podiam até nem ser moscatel, desde que tivessem grainha.
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