quinta-feira, 19 de março de 2015

Os eternos insatisfeitos

Dizem que a eterna instatisfação nos faz evoluir. Não tenho a certeza, gostava de estar mais satisfeita, pelo menos por breves momentos. Passou-me isto pela cabeça depois de uma corrida particularmente frustrante, em que não fiz mais de 8kms e de uma lembrança fugaz de uma mensagem triunfante enviada ao A., há anos, a anunciar que tinha conseguido correr 3kms. Ao som da minha respiração, que nunca tinha ouvido enquanto corro, e que ouvi hoje graças à decrépita bateria do meu não menos decrépito mp3, refleti sobre isto, sobre sermos eternos insatisfeitos. Ao som das minhas passadas das 6 da manhã, recusei um desafio para correr uma meia maratona em outubro e encolhi-me no conforto da inscrição nos 10kms. Desdobrei-me em esforços para justificar esta minha cobardia, que me arrancará, não para sempre, espero, o triunfo de cortar a meta dos 21kms com uma amiga. Talvez 10 kms seja mesmo para meninos e talvez eu seja isso, uma menina. E da pequenez desta meninice, surge, com uma cruel clareza, a certeza de que pior do que sermos eternos insatisfeitos é nada conseguirmos fazer para o mudar.

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