quinta-feira, 9 de julho de 2015

De Liverpool à Snowdonia





Quando cheguei a Liverpool, pensei que a cidade inteira tinha decidido casar-se na mesma altura. Para onde quer que olhasse, havia despedidas de solteiras e solteiros. Ao meio-dia de sábado, os pubs já estavam repletos de grupos de coelhinhas e grupos de homens meios alcoolizados. Sentámo-nos para almoçar e tivemos que escolher estrategicamente a mesa, porque uma das zonas do pub estava invadida por um autêntico galinheiro, mais uma despedida de solteira, muitos saltos altos, pestanas falsas, maquilhagens cinematográficas e cocktails. Mas que raio? Uma pessoa vem a Liverpool para ver os Beatles, respirar Beatles, ouvir Beatles e calham-nos ruas e ruas de gente embriagada aos tropeções. Até a ruela onde finalmente descobrimos o The Cavern mais parece uma rua de Ibiza, e somos abordados por gente a recrutar clientes para bares mais ou menos manhosos, é final da tarde e Liverpool já está ao rubro, tresanda a álcool, enche-se de mulheres desequilibradas em cima de saltos demasiado altos e grupos de homens de golas levantadas, que riem à bruta enquanto emborcam pints. Resisto à tentação de começar a barafustar, mas não me sai da cabeça aquele livro, os Bifes mal passados, queres ver que o homem até tinha alguma razão?

Um bom refúgio foi o The Beatles Story. Bastante detalhado, entra na história dos Beatles ao pormenor e até tem um yellow submarine para tirar fotos. Valeu na parte final, cansada que estava de andar a tarde toda, disse ao A. que ia sentar-me por ali uns minutos enquanto ele explorava aquela parte. Calharam-me umas almofadas numa pequena sala dedicada ao John Lennon, onde passava um documentário sobre ele. Ali fiquei, a repôr energias, ora olhando para o mapa de Liverpool que trazia comigo, ora olhando um bocado embasbacada para os óculos que o John Lennon usou enquanto compunha a Imagine. De todo o museu, aquilo foi o que mais me impressionou. Como é possível não tornarem aqueles óculos na imagem de marca do museu? Ele usou-os, são os originais, e com eles compôs a Imagine. E estão ali, meios a um canto.



O Queen Mary 2, ao entardecer em Liverpool


Vista das docas de Liverpool, a partir de uma das salas do Tate

Decidimos estender a viagem de regresso e atravessar a Snowdonia, parque nacional no norte de Gales. Escolha acertadíssima, de repente parecia que tínhamos voltado à Escócia, a atravessar estradas no meio de montanhas, com aqueles céus pesados, quase apocalíticos. Antes, parámos para almoçar em Colwyn Bay, terra costeira já em Gales. Achámos a terra ligeiramente deprimente, mas até se descobre um certo conforto nestas coisas: enquanto chove torrencialmente, apreciar uma cottage pie, de frente para o Irish sea. Acho que começo a gostar disto. Até já anseio pelo Inverno.




Colwyn Bay

Snowdonia


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