Não sei bem de onde é que a coisa vem. Será daquela vez, há anos, em que passei a noite no aeroporto do Funchal debaixo de uma tempestade à espera que o avião fosse capaz de descolar e mesmo quando descolou a coisa foi tão feia que havia homens feitos a chorar? Será da minha natureza ligeiramente controladora que não me permite viajar confortavelmente sem saber muito bem como é que a coisa está a ser conduzida lá à frente? Perdi a conta à quantidade de vezes que fiz esta pergunta a mim própria sem nunca descobrir com certeza o que estará na origem disto. Depois li algures que "há dois tipos de pessoas: as que têm medo de andar de avião e as mentirosas". Bem, a verdade é que olhando à volta num avião percebo que muitas pessoas não estão propriamente relaxadas, principalmente naquele momento maravilhoso, surreal, que é a descolagem. Mas há pessoas sem medo. Há. Eu vivo com uma. Na noite antes de viajar para a Austrália, por exemplo, o A. dormiu que nem um bebé e na manhã da partida estava tão relaxado como se fosse apanhar o comboio Braga-Porto. Eu, incrédula, perguntei-lhe vezes sem conta! "Mas não te sentes nervoso, nem um bocadinho?" - Não, ele de facto não estava. Nunca está. Até come autênticos banquetes nos almoços antes dos voos, quando eu não consigo engolir nada.
Depois de ter feito o programa da TAP e de ter aproveitado cada minuto para bombardear engenheiros, pilotos e hospedeiras com perguntas que tinha atravessadas há anos, a coisa está bem melhor. O voo terapêutico também ajudou: Lisboa-Madrid, e calhou-me o lugar ao lado do engenheiro aeronáutico, um dos formadores. Pobre homem, levou com as minhas perguntas o voo todo... Havia que aproveitar!
Apesar de tudo, houve uma pergunta que me escapou... nem sei como, de tão óbvia! Será que as próteses dos braços dos pilotos podem cair quando estão a aterrar o avião?
| BBC news |
Para ser sincera, não percebi bem à primeira. "Será que chamam arm a uma parte qualquer do painel de controlo?...". Aos poucos lá fui encaixando a notícia. Mesmo assim, não conseguia muito bem acreditar. Como é possível o piloto perder o braço? Parece um sketch do Gato Fedorento!
A experiência mostrou-me que a imaginação de uma pessoa com medo pode ser de uma criatividade excecional. Não fica nada de parte, todos os cenários, todos os pormenores, as hipóteses mais estranhas e improváveis. Mas não me tinha preparado para isto! Agora, para além de todos os cenários catastróficos que me passam pela cabeça antes de um voo, vou ter de acrescentar um, que, sabe-se lá como, tinha-me escapado: "E se o braço do piloto cai enquanto estamos a aterrar?".
Nunca me tinha passado isso pela cabeça. Será? A partir de hoje, também vou pensar nisso. Já tinha pouco com que me preocupar... :)
ResponderEliminarAdorei as tuas histórias e vou cá voltar mais vezes. Eu não sou de Braga, mas de Faro. Não estou em Warwickshire, mas em Londres. :)
Obrigada pela visita! Isto às vezes anda meio abandonado, mas vai passando cá :)
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