No Natal costumo entrar numa espiral de obsessão com a prenda mesmo, mesmo perfeita e isso torna-se contra-produtivo. Vejo uma prenda que até podia ser uma hipótese, hesito, não compro (a minha regra número 1: Nunca comprar a primeira coisa que se encontra). Vejo outra, mas que mesmo assim não era bem, bem aquilo... adio (a minha regra número 2: Acreditar que há sempre algo melhor - e perfeito - ao virar da esquina). Vejo outra e decido que é aquela, mas pelo sim pelo não, vou dar uns dias e mais umas voltas a ver se aparece alguma coisa mais gira (a minha regra número 3: Manter a calma e ponderar muito bem antes de mergulhar à maluca numa coisa qualquer). Quando é demasiado óbvio que afinal era aquela que tinha visto há uns dias atrás, já esgotou.
Desde o ano passado que, a acrescentar a todo o mar de dúvidas que me inunda no momento de comprar prendas, veio a necessidade destas caberem na mala ou, pelo menos, não serem demasiado pesadas. Se for a prenda ideal, mas não der para levar na mala, nada a fazer. Claro que isto elimina logo umas tantas possibilidades.
Também me acontece, com algumas pessoas em particular, bloquear completamente e não ter ideia nenhuma do que oferecer, até ao pânico de última hora, que cria sempre um boost nos níveis de criatividade. Para piorar tudo, enquanto embrulho os presentes, tarefa que me entretem o espírito, penso que afinal devia era ter comprado a outra, que essa é que era, que esta aqui é demasiado óbvia, vai ser uma desilusão. Quando entro no território do "a intenção é que conta", a coisa está mesmo mal. Quero acreditar que a moral da história é que eu preocupo-me tanto, tanto, que a minha falta de jeito para escolher prendas, sai compensada pelo tempo infinito que passo a pensar em cada uma delas. Cada minuto, desesperado de indecisão, é talvez o resultado de uma vontade imensa de acertar mesmo, mesmo, no que aquela pessoa gosta e, assim, ter a certeza que a faço mesmo, mesmo um bocadinho feliz.
Sem comentários:
Enviar um comentário