domingo, 18 de maio de 2014

Todo o percurso é feito numa sucessão de duas etapas: as subidas e as descidas. As descidas não saberiam ao mesmo se não fossem as subidas e não aguentaria as subidas se não fossem intervaladas com descidas. Esta ideia fica incrivelmente nítida na minha mente e transforma-se num jogo psicológico difícil, num diálogo interno constante ao ritmo dos passos e da música. A visão de uma subida que se avizinha requer o esforço de antever a descida que se segue e agarrar-me a isso para aguentar. Os meus pés fervem, incomoda-me tudo, até o cabelo a baloiçar a partir do elástico. Procuro desesperadamente a música milagrosa, a minha power song, mas há dias em que nem isso resulta.
O pior na corrida são os dias quentes. Mesmo de manhã, depois dos primeiros dez minutos, já tenho a sensação de que estão 40 graus. Venham mil manhãs geladas e escorregadias no pico do Inverno que eu troco por uma destas manhãs infernais.

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