segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

A minha primeira meia-maratona - Parte I

Numa manhã fresca de sábado lá nos arrastámos da cama, para honrar a decisão tomada em cima do joelho: íamos correr a meia-maratona cuja inscricão havia sido feita há meses e meses. Atrasados, rabugentos, esperámos impacientes na fila para entrar no recinto, havia pessoas a caminhar a passo apressado para as mesas de registo e nós sabíamos que tínhamos que o fazer rapidamente ou havia a possibilidade de não conseguirmos correr. Toda eu estranhava aquilo, porque tudo estava a falhar no meu sempre mais do que detalhado planeamento de todos os acontecimentos da minha vida. Decidir assim à ultima da hora, sair atrasada de casa, não saber bem o que comer, que roupa vestir. Tudo aquilo eu estranhava. Lá conseguimos estacionar o carro, eu não sabia se devia beber mais água, comer mais nozes, estar quieta em vez de tentar enfiar o máximo de mantimentos possível nos bolsos do casaco ou virar costas e vir embora. Lá chegámos ao sítio onde nos devíamos registar: era nada mais nada menos do que um pardieiro onde não cabia nem mais uma alma. Furámos a custo, conseguimos o dorsal: Good luck. Bem vamos precisar, pensei cá para mim, mesmo assim em português. As dúvidas persistiam, constantes, Será agora altura de comer mais alguma coisa? E ir à casa de banho? Sim, definitivamente ir à casa de banho parecia um bom plano. As conversas saíam animadas de todas as sanitas, histórias de antigas maratonas, lesões e desfalecimentos. Toda a gente se cumprimentava, lá voltei ao pardieiro para descobrir que o A. não tinha trazido a música dele. Solícita e boa samaritana, lá lhe ofereci a minha, sabendo que ali começava o meu fracasso.

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