terça-feira, 29 de julho de 2014

Eu no A&E

Ir parar à urgência do hospital por bater com o dedo mindinho do pé na esquina do sofá. Comigo é assim. Não faço a coisa por menos.
Sempre achei que tenho um problema qualquer de orientação espacial, principalmente no que toca a passar entre a porta e a parede e a contornar uma cama ou um sofá. Perdi a conta às vezes em que em vez de passar pela porta como uma pessoa normal dou com o ombro na parede, ou a fazer a cama, bato com as canelas em todo o que é mobília. O dedo mindinho do pé, como é do conhecimento de todos, é sempre o que dói mais e também já não sei quantas vezes me agarrei a ele depois de uma pancada, a morder o lábio para não saírem mais palavrões. Sim, que isto de dizer palavrões, mesmo para quem não o tem por hábito, é um tratamento eficaz para a dor. Principalmente, e como toda a gente sabe, a do dedo mindinho.
Ontem, depois do aperto inicial da dor, a coisa não passou e não conseguia sequer pousar o pé no chão. A pancada tinha sido mesmo forte e o habitual seria doer, mas passar. A velha máxima "Incha, desincha e passa" não se verificou. Um bocado contrariada, lá liguei para o 111, o número para as emergências menos graves, uma espécie de Saúde 24. Depois de assegurar que a pancada com o pé não tinha feito parte de nenhuma tentativa de suicídio e de assegurar também que compreendia que a senhora tinha de me fazer essa e outras perguntas, fui aconselhada a ir ao A&E, que é como quem diz Accident and Emergency ou, em bom português, Serviço de Urgência.
Para meu sossego, grande parte das pessoas na sala de espera sofria aparentemente de maleitas tão insignificantes como a minha. O médico atendeu-me a despachar, com cara de quem nesse dia já tinha visto dezenas de pés magoados e acredito bem que sim. Esta gente foi mais feita para andar de galochas e este calor tem obrigado tudo a andar de chinelos, com o pé ao léu, mesmo à mercê de qualquer esquina. Apalpou o pé, sentiu o inchaço, disse que ia assumir que estava partido, não ia cá perder tempo com raio X.  Disse que só avançaria para um exame mais a fundo se eu tivesse o dedo a apontar para um dos lados. Muito bem, senhor doutor, fico feliz que assim não seja. Imobilizou-me o dedo, juntinho ao outro, e disse que o tempo de recuperação ia depender do tipo de lesão, com o máximo de 6 semanas, caso estivesse mesmo partido. Muito pé ao alto, paracetamol ou algo que o valha e a coisa vai ao sítio. E foi assim a minha primeira (e única, espero eu) ida ao serviço de urgência inglês: um dedo mindinho do pé meio partido. Se vierem mais, que sejam todas por isso.

2 comentários:

  1. Uii tás melhor já?
    Perder tempo com um raio x? Seriously ? OMG.
    Isso só reforça minha tese de que por menos de um infarte ou um câncer não vale a pena ir ao médico aqui.
    Haja saúde.

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    1. Isto está a ser uma saga! Como começou a dar sinais de melhoria, aventurei-me numa corrida no sábado. Grande erro: não doeu enquanto estava quente, mas quando arrefeci, as dores voltaram em força... Agora é esperar...
      A lógica do médico é que, estivesse ou não partido, o tratamento seria o mesmo, por isso não era preciso raio X. Concordo em parte ctg, por outro lado entendo que não queiram gastar recursos por tudo e por nada... Mas isto dava uma longa discussão :)

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